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04/08/2023 - 11h52 Mercado de Trabalho

Desafio da fidelidade está entre as sete tendências do mercado de trabalho ainda em 2023

Robert Half aponta que expectativas refletem uma mudança no equilíbrio entre empregado e empregador


 

 

 

O que esperar do mercado de trabalho neste semestre? Segundo a consultoria Robert Half, destacam-se sete tendências no período: o aquecimento do mercado de trabalho qualificado, a dificuldade no preenchimento de vagas em aberto, a posição privilegiada dos bons profissionais, o desafio da fidelidade, o foco na marca empregadora, o mantra da flexibilidade e a alternativa inteligente dos empregos temporários. Ou seja, as expectativas refletem uma mudança no equilíbrio entre empregado e empregador.

 

 

DISPUTA POR TALENTOS

Sobre a escassez de trabalhadores qualificados, de acordo com a 24ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), calculado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, a taxa de desemprego dos profissionais qualificados (a partir dos 25 anos com ensino superior completo) foi de apenas 4,1% ao final do primeiro trimestre. O índice de desocupação geral da população, que inclui essa categoria de profissional, foi de 8,8% no mesmo período.

 

Maria Sartori, diretora associada da Robert Half assinala que, ainda que o cenário econômico não tenha alcançado a estabilidade esperada pelo mercado, os níveis de desemprego abaixo dos 5% reforçam que a oferta de talentos disponíveis é escassa, já que a maioria dos bons profissionais está empregada. “A consequência é prática: aqueles com bagagem técnica e comportamental apurada serão fortemente disputados entre as empresas", diz.

 

VAGAS ABERTAS

Ainda não chegou a hora de as companhias preencherem suas vagas com facilidade, pois esbarram no déficit profissional que o Brasil enfrenta, visto que o volume de formação de profissionais não é capaz de suprir as exigências do mercado na velocidade necessária.  Segundo dados do 24º ICRH, 76,8% dos recrutadores estão com dificuldades para contratar profissionais qualificados. Entre os entrevistados, 66% acreditam que o cenário não deve mudar nos próximos seis meses, enquanto 20% dizem que ele ficará mais desafiador.

 

CANDIDATOS NO COMANDO

A tendência é que a dificuldade no preenchimento das vagas se torne ainda maior e uma das razões é a forte posição dos profissionais. Os candidatos estão mais seguros em suas carreiras, têm mais clareza sobre seus objetivos profissionais e apresentam exigências cada vez mais altas para mudar de emprego.

 

"É preciso reforçar que as pessoas passaram por processos que alteraram profundamente suas perspectivas e seus desejos. Muitos profissionais seguem se perguntando se estão no emprego, carreira, cidade, ou até mesmo país, certos”, alerta a diretora da Robert Half. Na visão dela, diante da mudança ocorrida na percepção de equilíbrio na relação empregado/empregador, é natural que, com a evolução das empresas, os melhores profissionais queiram estar em espaços de trabalho onde se sintam bem e em empregos que de fato se adaptem à sua nova visão de vida.

 

A FAMOSA CONTRAPROPOSTA

Em contextos mais voláteis, ao receber sondagens ou propostas, alguns candidatos podem dispensar a nova vaga de emprego, apesar de um acordo verbal, e optar por continuar trabalhando com a antiga empresa. Parte desse cenário se deve às negociações realizadas com o empregador para a permanência no trabalho, as chamadas contrapropostas. Diante dessas circunstâncias, recrutadores tendem a duvidar mais das intenções dos profissionais.

 

No entanto, é necessário reforçar que, na grande maioria dos casos, a estratégia da contraproposta gera consequências negativas, aponta Maria. Isso porque quando uma companhia, subitamente e mediante o risco de perder um colaborador, decide aumentar seu salário para retê-lo, por exemplo, abrem-se brechas para uma série de inseguranças, tanto da parte da empresa quanto do profissional. A decisão de permanecer no emprego deve ser tomada com base em planejamento e autoconhecimento.

 

MAIS EMPREGOS TEMPORÁRIOS

Apesar da incerteza econômica, 47% dos recrutadores afirmam contar com profissionais contratados por tempo determinado e 40% dos profissionais alocados temporariamente nas empresas acreditam que terão mais oportunidades para atuar com projetos no próximo trimestre.

 

A relevância das oportunidades por projeto não deve ser subestimada: elas permitem que as empresas respirem nos períodos de pico, trazem expertise em situações estratégicas e devem ser uma solução quando cargos permanentes ficam vagos por um longo período. Ainda, profissionais que começam a trabalhar por meio de contratos com prazo determinado ganham muita experiência em diferentes áreas e setores, além de reforçar o networking.

 

O MANTRA DA FLEXIBILIDADE

Mesmo após mais de três anos de debate, o pêndulo que representa a discussão sobre o modelo ideal de trabalho não encontrou equilíbrio e se depara com um complexo desafio: cresce, trimestre após trimestre, o número de empresas que determinam o retorno integral aos escritórios.

 

Por outro lado, em prol de mais bem-estar, qualidade de vida e saúde mental, flexibilidade é o novo mantra do mercado de trabalho e esse definitivamente ainda será o primeiro tópico das salas de entrevista por um bom tempo. Há profissionais que não cogitam mais abrir mão dos modelos híbridos e 38% estão dispostos, até mesmo, a buscar um novo emprego na impossibilidade de uma atividade parcialmente remota.

 

FOCO EM IDENTIDADE E VALORES

As empresas sempre têm que lidar com a indexação. Para isso, precisam controlar os custos salariais, mantendo-se simultaneamente competitivas no mercado de trabalho. Isso não é simples em um mercado em que se pagam altíssimos salários para atrair talentos. As companhias, portanto, tendem a se beneficiar ao ter uma forte marca empregadora. Para muito além de alta remuneração e benefícios atrativos, os candidatos escolherão empresas por sua identidade, seus valores e sintonia com as pautas mais latentes do mercado, como as agendas de ESG, diversidade e inclusão.

 

Dessa forma, o desafio de contar com profissionais alinhados à empresa, à vaga e ao perfil de gestão demanda investimento em processos de recrutamento estruturados e estratégicos.

 

"O preenchimento de uma posição precisa ter como objetivo garantir, de forma ágil, que a empresa prospere por meio do conhecimento e da dedicação dos talentos certos, o que vai muito além de simplesmente ocupar uma cadeira. Mas, para isso, lembre-se que é fundamental que os profissionais tenham recursos e ambientes adequados para desenvolver todo o seu potencial", completa Maria Sartori.

 

Foto: Freepik

 

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