CEOs brasileiros avaliam positivamente seu equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
Apesar disso, mais da metade afirma que não consegue se desligar do trabalho durante as férias, segundo pesquisa
Encontrar equilíbrio entre as demandas da presidência e a vida pessoal ainda é um desafio para os CEOs brasileiros. Embora a maioria avalie positivamente sua qualidade de vida, mais da metade admite não se desconectar do trabalho durante as férias. Os dados fazem parte do relatório CEOs do Brasil, trabalho inédito realizado pela Exec e pelo GPTW (Great Place to Work). O estudo aponta um novo momento, no qual a alta liderança tem buscado uma relação mais saudável com o trabalho, apesar da instabilidade do ambiente externo – 61,8% preveem incerteza no cenário brasileiro para os próximos três anos.
Segundo o levantamento, a maior parte dos líderes considera ter uma boa qualidade de vida. Em uma escala de 1 a 5 para avaliar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, 60,3% atribuíram nota alta — 46,5% deram nota 4 e 13,8% deram nota 5. A nota 3, intermediária, foi indicada por 31,8% dos líderes, enquanto as avaliações mais baixas representaram uma minoria, com 6,5% para a nota 2 e 1,4% para a nota 1.
Sobre tirar férias regularmente, 34,6% têm de 11 a 20 dias de descanso por ano e 34,1% utilizam de 21 a 30 dias. Já os períodos com mais de 30 dias anuais são a realidade de 21%.
Apesar disso, a maioria, 53,5%, não consegue se desconectar das atividades da empresa. No recorte de gênero, as mulheres têm maior dificuldade de se desligar do que os homens — 60,9% das executivas trabalham no período de férias, enquanto entre os executivos o número cai para 51,5%.
Os hábitos de sono têm sido mais equilibrados: a maior parcela dos executivos dorme entre 6 horas (36,9%) e 7 horas (37,3%) por noite. 14,7% têm 8 horas de sono e os índices mais baixos registram 5 horas (9,2%) e 4 horas diárias (0,5%).
Para sustentar uma rotina diária saudável, a prática de atividade física se mostra fundamental: 87,1% dos CEOs ouvidos afirmam praticar exercícios regularmente; apenas 12,9% não o fazem.
“Há muito tempo se vê discussões no mercado sobre a necessidade de se buscar uma relação mais saudável com o trabalho, para que as lideranças possam exercer suas funções sem se desconectar de si mesmos e de suas famílias. Houve muito empenho para que se alcançasse esse equilíbrio, que ainda pode ser aprimorado. Os números da pesquisa revelam uma realidade que pode ser referência para a nova geração de líderes que surgirá nos próximos anos”, diz Tatiane Tiemi, CEO do GPTW Brasil.
Sucessão, o ponto crítico
Outro dado que chamou a atenção é relacionado ao sucessor do CEO. Apenas 16,1% têm um executivo preparado para ocupar a cadeira com a saída do atual e 41% não sabem quem será o próximo.
Segundo Rodrigo Forte, sócio da Exec, existe uma defasagem na formação de novos líderes. “A competência que forma sucessores é justamente a mais deficiente, e isso não é um problema pequeno. Sucessões desestruturadas fazem com que o risco organizacional aumente. A maioria das empresas no Brasil é familiar, de capital fechado, e lidera estruturas mais enxutas. O mercado precisa estar atento a esse fator”, alerta.
Desafio da IA
A IA está na agenda dos CEOs, ainda que com obstáculos consideráveis – 76,9% já perceberam que a tecnologia está transformando rapidamente a liderança, mas quase 30% apontaram que faltam gestores qualificados para nortear a aplicação da tecnologia nos negócios. “Uma grande parcela das iniciativas de IA falhou em 2025 por gap de liderança, não de tecnologia, ou seja, efetividade da inteligência artificial deixa de ser um problema técnico e se torna desenvolvimento de liderança”, analisa Rodrigo.
Liderança feminina estuda mais
A pesquisa revela que a maioria expressiva dos líderes empresariais – 78,8% – é do sexo masculino, sendo 36,9% na faixa etária entre 50 e 59 anos e 35% entre 40 e 49 anos. Os CEOs acima de 60 anos representam 17,5%.
Apesar de ocuparem um espaço menor nas cadeiras da alta liderança das grandes empresas, as mulheres são, em média, mais qualificadas academicamente: 73,9% têm pós-graduação ou MBA, ante 60,8% dos homens.
A chegada ao topo acontece majoritariamente entre 31 e 40 anos. E, ao se tornar CEO, o tempo de permanência é relativamente longo — 31,8% estão no cargo entre 6 e 10 anos e 24,9%, há mais de 15 anos. Quase um quarto dos respondentes ultrapassou uma década e meia na mesma cadeira.
Para eles, os atributos mais valorizados para a liderança atual são visão estratégica (40,6%) e inteligência emocional (37,8%). Em relação aos colaboradores, 64,5% dos CEOs esperam entrega de resultados, 46,5% valorizam o alinhamento aos valores da empresa e 37,8% apontam a resiliência.
Carreira paralela
A presidência raramente é a única atividade profissional do CEO. Quase 30% (29,5%) participam de conselhos, 27,6% atuam como mentores, 21,2% são investidores e 19,4% mantêm outros empreendimentos. A docência atrai 13,8% e o voluntariado está presente na vida de 22,6%.
No recorte por gênero, mais uma vez os dados divergem. Mulheres participam mais de conselhos (32,6%) e ministram aulas (19,6%). Homens investem mais (24%) e empreendem mais em paralelo (22,8%).
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