Praticidade e empatia acima da ambição definem o novo líder
Pesquisa global aponta que características tradicionais de liderança estão perdendo apelo
Responsabilidade, comunicação clara e gestão personalizada compõem a nova definição de liderança eficaz, de acordo com uma pesquisa global realizada pela Marco Agency, com 4.598 pessoas em sete mercados: Brasil, França, Alemanha, Itália, México, Portugal e Espanha.
O estudo identificou um conjunto de características não negociáveis para o executivo na atualidade. Até 2026, o sucesso de um líder será medido pela sua capacidade de entregar resultados tangíveis e assumir responsabilidade pelas suas ações. Segundo a pesquisa, as qualidades de liderança mais valorizadas são responsabilidade/accountability (8,5 de 10), seguidas por resolução de problemas (8,3 de 10) e comunicação (8,3 de 10).
Em contraste, características tradicionais parecem estar perdendo apelo: ambição (6,9/10) e pensamento visionário (7,5/10) ficaram nas últimas posições entre as qualidades pesquisadas, mostrando que os funcionários estão cansados da retórica e buscam uma orientação prática e confiável. Os profissionais preferem ação a ideias abstratas, ou seja, menos discurso, mais impacto.
Inteligência emocional e abordagem personalizada
Os dados sugerem que, embora os resultados continuem essenciais, a forma como eles são alcançados mudou. Conhecimento técnico (8,0) e direcionamento (7,8) são importantes, mas a praticidade sozinha não basta. A inteligência emocional importa mais e agora é um requisito fundamental: empatia (8,2) e transparência (8,1) aparecem em destaque, mostrando que as pessoas querem líderes abertos e emocionalmente conscientes, não apenas focados em tarefas.
Para expressivos 90,4% dos entrevistados líderes devem adaptar o seu estilo de gestão às necessidades individuais dos membros da equipe. Isso reflete uma forte demanda por uma liderança empática e personalizada, especialmente relevante em ambientes de trabalho cada vez mais diversos e híbridos.
Além disso, mais da metade dos entrevistados classificou inclusão e colaboração como extremamente importantes (notas 9 ou 10), com 36,5% atribuindo nota máxima, 10. Isso confirma que a força de trabalho atual espera que líderes promovam ativamente uma cultura de apoio e colaboração em equipe, não apenas como um diferencial, mas como uma expectativa básica.
Nuances globais
A pesquisa também destaca diferenças culturais sobre o que se espera dos líderes. Responsabilidade, resolução de problemas e comunicação se confirmam como as principais características em todos os países.
No Brasil, no México e em Portugal, os entrevistados foram os que demonstraram as maiores expectativas gerais em relação aos seus líderes, exigindo um alto nível de envolvimento e inspiração.
Já os países do sul da Europa – Itália, Espanha e Portugal – valorizam características de inteligência emocional, como empatia e habilidades de comunicação, ligeiramente mais do que os países do norte da Europa, refletindo uma preferência por uma liderança centrada nas pessoas.
A mesma Espanha que destaca a importância das características acima também aparece na pesquisa ao lado da Alemanha valorizando uma liderança mais pragmática e orientada para a ação, que prioriza eficiência e resultados diretos acima de qualidades aspiracionais de liderança, como pensamento visionário e ambição. Ao mesmo tempo, França e Alemanha valorizam tanto habilidades técnicas, como conhecimento e direcionamento, quanto habilidades interpessoais, como transparência.
Para Noelia Cruzado, CEO da Marco, os dados são claros: “Não há espaço para líderes que se escondem atrás de slogans ambiciosos sem entregar impacto real. As pessoas estão exigindo líderes humanos, indivíduos responsáveis, transparentes e capazes de lidar com as complexidades do trabalho híbrido com empatia. Hoje, o papel de um CEO não é apenas direcionar, mas capacitar indivíduos ao reconhecer as suas necessidades únicas e promover uma cultura de honestidade radical.”
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