Coerência, consciência e maturidade devem pautar o comportamento das lideranças em 2026, diz especialista
Ex-CEO da Bayer e da Roche e fundadora da WorkCoherence elenca dez pontos de atenção
O ano de 2026 deve consolidar uma virada profunda no modelo de liderança das organizações. Pressões econômicas, crises de saúde mental, mudanças geracionais e a complexidade dos sistemas globais estão forçando empresas a repensarem não apenas como lideram, mas quem está preparado para liderar. Para Lara Bezerra, com mais de 27 anos de carreira como executiva global, ex-CEO da Bayer e da Roche e fundadora da WorkCoherence, o futuro da liderança será menos sobre controle e mais sobre coerência, consciência e maturidade decisória.
A seguir, ela destaca dez tendências que devem pautar o comportamento dos líderes em 2026 e que já começam a influenciar decisões no topo das organizações.
1. Liderança coerente como critério de decisão
Empresas passam a avaliar líderes não apenas por resultados, mas pela coerência entre discurso, comportamento e decisões. Incoerências culturais e éticas tendem a ser menos toleradas. Lara frisa que coerência não é estilo pessoal, mas sim a capacidade de sustentar decisões difíceis sem romper valores.
2. Maturidade cognitiva como competência estratégica
A habilidade de lidar com ambiguidade, complexidade e conflitos sem respostas automáticas ganha centralidade. Líderes imaturos cognitivamente tendem a colapsar sob pressão. Quanto maior a consciência, diz a especialista, maior a maturidade para decidir melhor.
3. Prosperidade sistêmica em vez de lucro isolado
O conceito de sucesso se amplia. Resultados financeiros seguem importantes, mas passam a ser analisados junto ao impacto humano, cultural e social das decisões. "Não existe prosperidade sustentável quando o sistema adoece", pontua Lara.
4. Burnout executivo sem tabu
Em 2026, o esgotamento das lideranças deixa de ser visto como fragilidade individual e passa a ser tratado como falha de modelo organizacional. Isso porque, avalia a consultora, não é o líder que está quebrado, é o sistema que exige incoerência contínua.
5. O líder como formador de engenheiros de sua neuroplasticidade e epigenética
Cresce a compreensão de que líderes moldam comportamentos, valores e relações, não apenas entregam metas. Para Lara, um líder tem a obrigação de formar bons seres humanos.
6. Espiritualidade laica no vocabulário corporativo
Sem vínculo religioso, a espiritualidade passa a ser entendida como consciência, presença e sentido, elementos essenciais para decisões maduras. Assim como a necessidade de práticas contemplativas entrarem no cotidiano de todos, o mesmo acontece nas corporações. "Não se trata de fé, mas de consciência aplicada à liderança", explica a especialista.
7. Mais humanidade nas decisões difíceis
Demitir, reestruturar e cobrar resultados continuará sendo parte da liderança, mas a forma como isso é feito será cada vez mais observada. Lara salienta que humanidade não enfraquece a liderança, mas a imaturidade, sim.
8. Cidadania global como parte das escolhas locais
Líderes passam a considerar impactos culturais, sociais e ambientais além das fronteiras da empresa ou do país. "Decisões locais têm efeitos globais. Ignorar isso é falta de consciência", explica ela.
9. Enfraquecimento da autoridade baseada em cargo
A hierarquia formal cede espaço à autoridade construída por confiança, clareza e consistência de atitudes. Isso porque, garante Lara, as pessoas seguem líderes em quem confiam, não apenas cargos.
10. Liderança muito além da técnica
Ferramentas seguem importantes, mas insuficientes. O diferencial estará na capacidade de o líder de integrar razão, emoção, valores e impacto. "O futuro da liderança não é técnico. É humano e sistêmico", conclui a fundadora da WorkCoherence.
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