iFood transformou a IA em um dos motores do Ebitda e ampliou contratações, em vez de demitir
Resultados financeiros são considerados consequência de uma cultura aceleradora da inovação
Enquanto muitas empresas associam o avanço da inteligência artificial à redução de equipes, o iFood seguiu na direção oposta. Entre 2022 e 2025, a companhia ampliou seu quadro de 5 mil para 8 mil colaboradores, um crescimento de cerca de 60% justamente no período em que mais acelerou a adoção da tecnologia. Na empresa, a IA assumiu tarefas repetitivas e liberou as pessoas para atividades que exigem julgamento, criatividade e proximidade com o cliente.
A estratégia ajudou a companhia a fechar o último ano fiscal com Ebitda de R$ 2,2 bilhões, alta de 40% na comparação anual, segundo resultados divulgados pela Prosus, controladora do iFood. A empresa considera o desempenho financeiro consequência da forma como a IA foi trabalhada.
Em maio de 2025, a empresa publicou um manifesto que definiu o uso da inteligência artificial como responsabilidade de cada profissional e vinculou essa prática à avaliação de desempenho e à participação nos resultados. Hoje, cerca de 91% dos quase 8 mil colaboradores – ou Foodlovers, como são chamados internamente – utilizam IA generativa diariamente, em um modelo que a empresa chama de pensamento AI First.
"Cultura é o sistema operacional das empresas que escalam", afirma Raphael Bozza, sócio e VP de Pessoas do iFood. Para o executivo, a IA só entrega resultado quando encontra uma empresa pronta para recebê-la: "Não dá para liderar a transformação que você não vive".
Nos últimos dez meses, foram criados cerca de 27 mil agentes de inteligência artificial, dos quais 12 mil operam simultaneamente, em uma estratégia que vem sendo desenvolvida desde 2018. Com a cultura consolidada, a tecnologia passou a impulsionar novos negócios.
A disciplina de abrir novas frentes sem perder eficiência na operação principal, conceito que a empresa chama de ambidestria, fez com que categorias como fintech, mercado e farmácia passassem de uma participação marginal para cerca de um terço da receita em apenas dois anos, segundo dados da Prosus. O crescimento foi sustentado pelos mesmos modelos de IA utilizados para previsão de demanda e otimização logística.
A mesma lógica permitiu manter investimentos de longo prazo, como o iFood Hits. A operação de entregas em poucos minutos permaneceu ativa até que os algoritmos passassem a priorizar restaurantes com preparo mais rápido, tornando o serviço economicamente viável. Hoje, a modalidade representa cerca de 8% dos pedidos.
Também foi a IA que deu maior precisão às decisões de negócio. Com aproximadamente 25 bilhões de decisões preditivas por mês, a companhia consegue acelerar investimentos quando identifica oportunidades e priorizar rentabilidade quando é o momento de capturar resultados, movimento que contribuiu para mais que dobrar o desempenho dos serviços financeiros no período.
Foto: Shutterstock/Diego Thomazini








