Home office atrai nove vezes mais candidatos que trabalho presencial
Flexibilidade pode ampliar a capacidade de pequenas e médias empresas na disputa por talentos
Regulamentado pela legislação trabalhista em 2017 e impulsionado em larga escala pela pandemia de 2020, o trabalho remoto deixou de ser uma alternativa restrita a determinadas profissões para se tornar parte da realidade do mercado brasileiro. Nestes últimos anos, empresas e profissionais vêm acumulando experiências sobre os benefícios, os desafios e as condições necessárias para que o modelo funcione. Ainda assim, o modelo remoto, e mesmo o híbrido, ainda são tema de discussões sobre produtividade, cultura, gestão e atração de talentos
Alguns dados de pesquisa podem apoiar as empresas nessa decisão. Um levantamento do Infojobs, realizado em maio, mostra que vagas em home office recebem, em média, 620,9 candidaturas por oportunidade, mais de nove vezes o volume registrado nas posições presenciais, que têm média de 65,8 candidaturas por vaga. A diferença também é expressiva em relação ao modelo híbrido, que registra 73,6 candidaturas por oportunidade.
No período analisado, foram contabilizadas 2.427 vagas em home office, que receberam mais de 1,5 milhão de candidaturas; já as 212.656 vagas presenciais somaram quase 14 milhões de candidaturas; e, no modelo híbrido, foram 8.273 vagas e pouco mais de 609 mil candidaturas.
Apesar de representarem uma parcela pequena das oportunidades disponíveis, as vagas totalmente remotas despertam um interesse proporcionalmente muito maior entre os candidatos.
Patrícia Suzuki, diretora de Pessoas & Cultura da Redarbor Brasil, dona da Infojobs, acredita que essa pode ser uma saída para as pequenas e médias empresas, que nem sempre conseguem competir com grandes organizações em reconhecimento de marca, estrutura ou orçamento, essa pode ser um meio para se tornarem mais competitivas.
“Para pequenas e médias empresas, flexibilidade pode ser uma ferramenta importante de competitividade na atração de profissionais. Nem sempre uma PME consegue disputar talentos com uma grande companhia usando os mesmos recursos, seja em reconhecimento de marca ou estrutura, mas pode encontrar outros diferenciais na proposta de trabalho. Quando a atividade permite, ampliar a flexibilidade também significa ampliar o universo de profissionais que podem considerar aquela oportunidade”, afirma.
Outro efeito do trabalho remoto é a possibilidade de ampliar geograficamente a busca por profissionais. Uma empresa que antes dependia principalmente de candidatos próximos à sua operação passa a poder considerar talentos de outras cidades e regiões, desde que a função permita esse modelo.
Para as pequenas e médias empresas, essa possibilidade pode se tornar a solução para a limitação recorrente de encontrar profissionais com determinadas competências no mercado local.
Ao mesmo tempo, o interesse elevado pelas vagas remotas traz o desafio de se preparar para fazer uma triagem eficiente e identificar os profissionais mais aderentes à posição. “Para uma PME, que normalmente trabalha com equipes de RH menores, tecnologia e critérios bem definidos de seleção se tornam ainda mais relevantes”, complementa Patrícia.
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