Maioria expressiva das empresas não possui políticas de desconexão, aponta estudo da ABQV
Cultura da disponibilidade permanente está concentrada principalmente nos cargos de liderança
Em um momento em que a saúde mental vem ganhando cada vez mais espaço na agenda corporativa, um levantamento da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida) mostra que o direito à desconexão ainda está longe de fazer parte da realidade das empresas. A pesquisa, realizada principalmente com diretores de RH das empresas associadas à entidade, mostrou que 88,9% das organizações ainda não possuem políticas formais que orientem ou proíbam os colaboradores de responder mensagens de trabalho, como WhatsApp e e-mails, após o expediente. Apenas 11,1% já contam com esse tipo de política.
Mesmo quando em práticas menos formais, ou seja, que não fazem parte de um plano estrutural, o cenário é semelhante: 77,8% das empresas não possuem qualquer orientação e apenas 22,2% afirmaram adotar esse tipo de iniciativa. Entre aquelas que não possuem essas práticas, 55,6% sequer estudam implantá-las.
Para 48,9% dos participantes, responder mensagens de trabalho fora do horário é uma prática comum na empresa e 42,2%, que isso acontece de forma pontual. Apenas 2,2% disseram que a prática não faz parte da cultura organizacional ou é proibida por regras internas e 6,7%, que respondem mesmo sendo proibido.
Quando perguntadas sobre a relevância de incentivar a desconexão dos aplicativos corporativos, apenas 35,6% atribuíram notas 4 ou 5, em uma escala de 1 a 5. Ou seja, o assunto não é considerado importante nas empresas.
“Em um ambiente de trabalho cada vez mais conectado, é fundamental que as empresas estabeleçam limites claros para preservar a recuperação física e emocional dos trabalhadores. A tecnologia deve apoiar a produtividade, e não ampliar continuamente a jornada de trabalho”, afirma Ana Carolina Peuker, diretora da ABQV e uma das coordenadoras do levantamento.
Líderes permanecem conectados
Sobre os níveis hierárquicos em que a conexão é mais presente, os dados indicam que a permanência online tende a aumentar conforme cresce o nível de responsabilidade e de liderança. Apontados por 44 respondentes, Os gerentes apareceram em primeiro lugar, seguidos por coordenadores e diretores, ambos com 40 citações, e executivos C-Level , com 35. Já o nível operacional foi citado apenas por 18 entrevistados.
A pesquisa também investigou as ações voltadas à prevenção dos fatores de risco psicossociais. O resultado mostra que 64,4% das empresas ainda não possuem programas específicos para prevenção desses riscos ou para promoção da saúde mental. Apenas 35,6% afirmaram desenvolver iniciativas estruturadas nessa área.
Os resultados demonstram que existe espaço para que as organizações avancem na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, especialmente em um contexto em que a gestão dos riscos psicossociais passa a ocupar posição estratégica.
Foto: Shutterstock








