Segurança psicológica não significa eliminar o desconforto no trabalho
Empresas precisam preparar equipes para lidar com feedbacks, erros, frustrações e conflitos, orienta especialista
Conflitos, frustrações e situações de pressão fazem parte das relações profissionais e não é eliminando essas experiências que a empresa criará um ambiente de segurança psicológica. O caminho é outro: criar condições para que líderes e liderados saibam atravessar esses momentos de forma construtiva.
É nessa perspectiva que o desenvolvimento da capacidade de lidar com conflitos ganha espaço nas estratégias de gestão de pessoas. "Existe uma diferença importante entre segurança psicológica e conforto. Uma equipe psicologicamente segura não é aquela em que ninguém é contrariado, cobrado ou confrontado. É aquela em que as pessoas sabem que podem discordar, receber um feedback negativo, admitir um erro ou trazer um problema sem serem humilhadas ou colocadas em uma situação de ameaça”, diz Darwin Grein, CEO da Juntxs e especialista em desenvolvimento humano e organizacional.
Nesse contexto, saber lidar com conflitos também se torna uma competência profissional. Evitar constantemente conversas difíceis pode fazer com que problemas se acumulem, assim como transformar divergências em sinal de um ambiente tóxico pode impedir discussões necessárias para o funcionamento das equipes. As lideranças precisam saber conduzir conversas difíceis e estabelecer limites, enquanto os profissionais precisam desenvolver capacidade para ouvir críticas, rever posições e lidar com frustrações.
Essa maturidade, orienta Darwin, pode ser estimulada por estratégias de desenvolvimento que criem experiências diferentes da rotina corporativa. Team building, dinâmicas de colaboração e experiências coletivas de aprendizagem podem ajudar equipes a exercitar comunicação, escuta, negociação, tomada de decisão e resolução de problemas. Quando planejadas de forma estratégica, essas iniciativas deixam de ser apenas momentos de integração e criam situações em que os profissionais podem observar como se relacionam diante de desafios, divergências e decisões coletivas.
Uma experiência coletiva de aprendizagem pode revelar comportamentos que muitas vezes não aparecem em uma reunião convencional. “Quando as pessoas precisam resolver um problema juntas, negociar, discordar ou tomar uma decisão sob pressão, começam a perceber como escutam, como se posicionam e como reagem quando algo não acontece como esperavam. O valor do team building está justamente em transformar essas experiências em aprendizado que possa voltar para o cotidiano e melhorar a forma como a equipe conversa, trabalha e resolve seus conflitos”, diz o especialista.
Para que esse desenvolvimento seja efetivo, entretanto, as ações não podem ficar restritas a momentos pontuais. O aprendizado precisa aparecer também na rotina, na forma como líderes dão feedback, conduzem reuniões, reconhecem erros e tomam decisões.
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