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03/08/2026 - 15h23 Gestão de Pessoas

Lideranças devem estar atentas à solidão de seus liderados

Falta de propósito e afastamento dos colegas têm reflexos na produtividade, nos resultados e no caixa da empresa


Historicamente associada à vida privada, a solidão vem ganhando espaço no ambiente de trabalho, um território que, em tese, deveria ser marcado pela convivência diária. Algumas pesquisas indicam que a desconexão emocional se tornou um traço estrutural da experiência profissional contemporânea, com impactos sobre a saúde dos trabalhadores e a eficiência das empresas.

 

Não encontrar sentido ou propósito no trabalho pode ser umas explicações para esse fenômeno. E isso é mais comum do que se imagina: de acordo com uma pesquisa global da PwC, 50% dos profissionais não encontram conexão com o que fazem. Outra pesquisa, essa da Pew Research Center, mostrou que 38% dizem trabalhar apenas para "se manter", sem envolvimento com o que fazem. O trabalho, nesse contexto, perde sua dimensão simbólica e passa a ser encarado de forma estritamente instrumental, como meio de sobrevivência, não de realização.
 

A sensação de esvaziamento se reflete também nas relações interpessoais: 64% dos profissionais já se sentiram solitários no trabalho e 46% gostariam de ser mais próximos de seus colegas, segundo um levantamento da HR Grapevine.

 

Os custos dessa solidão não são apenas subjetivos. A literatura sobre saúde ocupacional associa a falta de propósito e de vínculos sociais ao aumento do risco de problemas físicos, transtornos mentais e prejuízos cognitivos. No plano organizacional, os efeitos também são mensuráveis. Estimativas da consultoria Sunny Workplace indicam que cada funcionário solitário custa às empresas cerca de US$ 13.300 por ano, cerca de R$ 66 mil, considerando absenteísmo, gastos com saúde e maior rotatividade.

 

A lógica por trás desse impacto é direta. Quando as pessoas se sentem desconectadas dos colegas, o senso de responsabilidade coletiva diminui. A motivação cai, o engajamento se fragiliza e a produtividade sofre. A solidão, nesse sentido, não é apenas um problema emocional individual, mas um fator que corrói silenciosamente a eficiência das organizações.
 

Andre Purri, CEO da HR tech Alymente, diz que o papel da liderança é decisivo nesse processo. Clarificar o propósito do trabalho, oferecer feedbacks frequentes e demonstrar como cada função contribui para objetivos mais amplos ajuda a reconstruir o sentido da atividade profissional. Além disso, oportunidades de desenvolvimento que estimulem a interação entre equipes reforçam laços e reduzem a sensação de isolamento. "O equilíbrio entre salário e bem-estar reflete as expectativas de uma força de trabalho moderna, que valoriza uma abordagem mais consciente e integrada da própria saúde", afirma André.

 

O avanço da solidão no trabalho expõe uma contradição do mundo corporativo contemporâneo: nunca se falou tanto em colaboração, e nunca tantas pessoas se sentiram sozinhas no exercício de suas funções. Tratar o problema apenas como uma questão de bem-estar é subestimar sua dimensão real. A solidão no ambiente profissional é um desafio econômico, organizacional e humano, e ignorá-la tem um custo cada vez mais alto.

 

 

Foto: Shutterstock

 

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