Imagem da matéria Felicidade organizacional: é possível ser feliz no trabalho?
15/04/2021 - 16h51 Employer Branding

Felicidade organizacional: é possível ser feliz no trabalho?

A felicidade corporativa deve ser vista como estratégia de negócio, diz Suzie Clavery neste artigo


 

 

Por Suzie Clavery*

 

A pandemia mudou radicalmente nossas vidas. Particularmente, me fez pensar ainda mais sobre o que me move, sobre o que verdadeiramente me importa: família, filhos, saúde, casa, comida, trabalho, etc. Sim, trabalho faz parte dessa lista. Mesmo nesse cenário complexo e desafiador, trabalhar é um privilégio, ainda mais em uma empresa de saúde como o UnitedHealth Group e, mesmo que não seja na linha de frente, me move. Eu entendo a importância do meu trabalho para suportar as operações de quem salva vidas todos os dias. Indiretamente, mesmo não tendo formação na área da saúde, aprendi a ver meu trabalho como fundamental para salvar vidas. E isso me faz feliz.

 

Gosto da definição de felicidade de Shawn Achor, em O Jeito Harvard de Ser Feliz: “felicidade é a alegria que sentimos quando buscamos atingir nosso pleno potencial.” Além disso, “felicidade leva ao sucesso e à realização, e não o contrário”. E também da definição de Sonja Lyubomirsky: “felicidade é a experiência de contentamento e bem estar, combinada com a sensação de que a vida possui sentido e vale a pena”.

 

O que aprendi no caminho, estudando um pouco mais sobre felicidade nos últimos anos e vivenciando minha rotina, é que é possível ser feliz no trabalho.

 

Felicidade corporativa não é o que a empresa dá, portanto, não tem nada a ver com salário e benefícios, nem com uso de pequenas satisfações momentâneas para aumentar o engajamento, mas trata-se sim de um processo a longo prazo, que foca em como as pessoas se sentem, combinando a experiência positiva do colaborador e as emoções positivas que a cercam, com um senso mais profundo de sentido e propósito.

 

A experiência positiva do colaborador que tanto falamos ultimamente, e que reflete significativamente na reputação da marca empregadora e na estratégia de employer branding, é parte do processo para o caminho da felicidade, não a felicidade em si. Mas, assim como employer branding (gestão de marca empregadora) e employee experience (experiência do colaborador) são vistas, enfim, como estratégias de negócio e gestão, a felicidade corporativa também deve ser.

 

É questão de tempo ver a felicidade diminuir o absenteísmo e o turnover, fazendo com que os talentos permaneçam mais tempo na sua empresa, gerando motivação e comprometimento a longo prazo.  Colaboradores mais felizes tendem a ser mais saudáveis, física e mentalmente, reduzindo casos de depressão e Burnout, são mais produtivos, engajados e todos os fatores impactam diretamente em seu desempenho, gerando lucro para todo o ecossistema: ele próprio, a família, a sociedade e a empresa.

 

Um estudo realizado pelo Center for Positive Organizational Scholarship, da Universidade da Califórnia, mostra que um colaborador feliz é, em média, 31% mais produtivo, três vezes mais criativo e suas vendas são 37% mais elevadas, em comparação com outros. Uma pesquisa realizada pela Right Managent mostrou que o nível de produtividade dos funcionários pode aumentar em até 50% em organizações que investem no bem-estar e no estímulo positivo de seus colaboradores.

 

Já dizia William Edwards Deming que “não se gerencia o que não se mede, não se mede o que não se define, não se define o que não se entende e não há sucesso no que não se gerencia”. Experiência do colaborar e felicidade são duas métricas essenciais para o sucesso de uma empresa nos novos tempos.

 

Além disso, outro ponto importante quando falamos de marca empregadora, experiência e felicidade é justamente que área ou o profissional de Recursos Humanos não deve sentir-se e nem mais ser visto como o responsável pela criação desses cenários. Não é justo e nem sustentável colocar no RH a responsabilidade pelo sucesso de qualquer uma dessas facetas, porque uma empresa é feita de pessoas para pessoas. Cada um de nós, líderes ou não líderes, RH ou não RH, é responsável pela própria jornada, pelas próprias escolhas, pela experiência que provoca em si e nos outros.

 

Empresas são um grande ecossistema em funcionamento no qual uma peça depende de outra para a sobrevivência. Isso significa que não adianta ter um lindo desenho de jornada da experiência ou de plano de felicidade no papel, se no dia a dia as pessoas não se responsabilizam por executá-lo e não se entendem parte fundamental dele.

 

Uma liderança ruim, por exemplo, pode colocar todo o trabalho dessa jornada a perder, comprometendo toda a cadeia de valor, pois uma experiência negativa dos colaboradores, vai desencadear a infelicidade, influenciar negativamente na reputação da marca empregadora, comprometer a cultura, aumentar a rotatividade, diminuir a performance, etc.

 

Quando falamos de marca empregadora, experiência do colaborador e felicidade, o RH pode e deve ser um designer dessas jornadas, um facilitador na criação de soluções alinhadas com a cultura da empresa e os objetivos de negócios, que trabalha ampliando a educação sobre os temas, construindo uma rede interna de aliados para que a execução e percepção de entrega de valor seja colaborativa, constante, realmente motivadora e autorresponsável.

 

*Suzie Clavery é gerente de Employer Branding do UnitedHealth Group e cofundadora da plataforma Employer Branding Brasil, ecossistema de discussão do sobre marca empregadora. É autora do primeiro livro sobre employer branding do Brasil, Isso é Employer Branding?! Um livro para (des)construir tudo aquilo que você (acha que) sabe (ou não) sobre o tema (Editora Leader – 2020)

 

 

Foto de abertura: Divulgação

 

Últimas notícias

Imagem da matéria Raquel Nogueira assume a diretoria de RH Latam da Hoya Vision Care
Raquel Nogueira assume a diretoria de RH Latam da Hoya Vision Care
Gente - 29/07/2026 - 11h30
Executiva tem 20 anos de vivência na área, com atuação em empresas como Start Bank, Sanofi e Nestlé
Ver MAIS
Imagem da matéria A alta liderança precisa criar agentes de IA? Depende
A alta liderança precisa criar agentes de IA? Depende
Artigos - 28/07/2026 - 10h49
Breno Vaz, VP de Gente e Jurídico da Conexa, reflete sobre o novo papel e as novas competências dos líderes
Ver MAIS
Imagem da matéria Deep fakes afetam o recrutamento e exigem novas estratégias do RH
Deep fakes afetam o recrutamento e exigem novas estratégias do RH
Radar - 27/07/2026 - 11h00
Cada vez mais sofisticadas, fraudes com IA generativa requerem atenção humana e treinamento da área
Ver MAIS
Imagem da matéria Como redesenhar a nova dinâmica com a IA sem destruir a cultura organizacional
Como redesenhar a nova dinâmica com a IA sem destruir a cultura organizacional
Radar - 24/07/2026 - 11h00
Os entraves à transformação estão na cultura, nas habilidades e na liderança, diz especialista da Exec
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Recrutamento & Seleção - 26/02/2026 - 10h59
Chamada de A.R.A - Agente Robótica Aramis, solução fortalece a estratégia fashion tech da companhia
Ver MAIS
Imagem da matéria O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
Artigos - 27/04/2026 - 12h27
CEO do Andbank conta como a rotina de ciclismo, triathlons e maratonas contribui no seu desempenho como líder
Ver MAIS
Imagem da matéria O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
Artigos - 07/08/2025 - 17h10
Com intencionalidade e consistência, o básico bem feito tem gerado os melhores resultados, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Diversidade & Inclusão - 07/05/2026 - 10h43
Mas, ao se tornarem mães, mulheres ainda enfrentam dificuldades para manter o emprego, diz especialista
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias