A produtividade das empresas brasileiras não pode esperar
Michelle Cascardo: parte da solução pode estar na forma de organizar, gerenciar e desenvolver equipes
Por Michelle Cascardo*
O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) trouxe recentemente um dado que ajuda a explicar um dos principais desafios da economia da região: a América Latina precisa de quatro trabalhadores para produzir o equivalente a um trabalhador dos Estados Unidos. Em três décadas, a renda real da região cresceu apenas 18%, cerca da metade do avanço registrado nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Embora o estudo retrate a América Latina como um todo, o Brasil conhece bem esse desafio. A baixa produtividade é um tema recorrente no debate econômico nacional e está diretamente ligada a fatores como burocracia, informalidade, complexidade regulatória e dificuldade para desenvolver as habilidades que o mercado demanda.
Trata-se de um problema estrutural, que não será resolvido por uma única política pública nem da noite para o dia. Mas existe uma parte dessa equação sobre a qual as empresas podem agir imediatamente: a forma como organizam, gerenciam e desenvolvem suas equipes.
Na prática, é isso que observamos quando empresas substituem processos manuais e desconectados por plataformas que integram contratação, gestão de pessoas, folha de pagamento, compliance e equipamentos em um único ambiente, apoiado por inteligência artificial. Os ganhos deixam de ser apenas operacionais e passam a impactar diretamente a produtividade do negócio.
Os resultados são concretos. Empresas conseguem reduzir erros em processos de folha de pagamento, acelerar em até 30 vezes a triagem inicial de candidatos e diminuir significativamente o tempo de resposta em demandas internas de tecnologia. Isso representa menos tempo gasto corrigindo planilhas, reunindo documentos ou acompanhando processos administrativos e mais tempo dedicado a decisões estratégicas, como contratar os profissionais certos, desenvolver talentos e expandir operações.
No caso brasileiro, esse ganho é ainda mais relevante. Muitas empresas já operam com equipes distribuídas entre diferentes estados ou mantêm profissionais e fornecedores em diversos países. Cada legislação, obrigação trabalhista ou regra tributária adicional aumenta a complexidade da operação e exige mais tempo das áreas de Recursos Humanos, Financeiro e Jurídico.
Quando essas atividades são centralizadas em uma única plataforma, as equipes deixam de atuar como gestoras de burocracia e passam a dedicar mais energia ao crescimento do negócio. Para empresas menores, isso significa crescer sem ampliar a estrutura administrativa na mesma proporção. Para organizações maiores, significa consolidar processos, reduzir a fragmentação operacional e aumentar a eficiência.
É importante esclarecer o papel da inteligência artificial nesse contexto. A tecnologia não substitui a experiência nem o julgamento das pessoas. Ela pode organizar informações, automatizar tarefas repetitivas, identificar inconsistências e acelerar processos. Mas decisões críticas, como uma contratação, a aprovação de uma folha de pagamento ou a interpretação da legislação, continuam dependendo da análise humana.
O ganho de produtividade, portanto, não vem de substituir pessoas. Vem de eliminar atividades repetitivas e operacionais para que os profissionais possam dedicar seu tempo ao que realmente gera valor para a empresa.
O diagnóstico apresentado pelo BID reforça uma realidade conhecida por quem acompanha o mercado de trabalho na região. Melhorar a produtividade continuará sendo um desafio de longo prazo para governos e para a economia como um todo. Mas, dentro das empresas, existem oportunidades que não precisam esperar.
A pergunta, hoje, não é apenas por que o Brasil ainda produz menos do que poderia. É quanto dessa diferença pode ser reduzida por decisões que as empresas já têm condições de tomar.
*Michelle Cascardo é gerente de Vendas para a América Latina da Deel
Foto: Divulgação/Deel








