Imagem da matéria O RH em 2026 unirá o algoritmo à sensibilidade humana
03/12/2025 - 11h05 Artigos

O RH em 2026 unirá o algoritmo à sensibilidade humana

Área se fortalece na estratégia como ponte entre o racional e o emocional, diz fundadora da People Leap


 

Por Giovanna Gregori Pinto*

 

Nos últimos anos, o RH deixou de ser uma área de suporte para se consolidar como um centro de estratégia dentro de algumas empresas que entenderam a sua função no negócio. Em 2026, essa mudança deve se intensificar e a gestão de pessoas passa a ocupar um papel de decisão e impacto direto nos resultados corporativos, com líderes cada vez mais orientados por dados, tecnologia e uma visão integrada do desempenho humano e organizacional.

 

As transformações que estão em curso se resumem, mas não se limitam, à forma como o RH se posiciona dentro da empresa. O foco não é mais apenas atrair, desenvolver e reter talentos, e sim aprimorar sistemas que antecipem comportamentos, ajustem processos e conectem a gestão dos recursos ao objetivo do negócio. A área deve deixar de agir de maneira reativa para atuar como um radar estratégico, capaz de prever cenários, propor soluções e medir o impacto das decisões em tempo real.

 

Tecnologia com sensibilidade: o equilíbrio que define 2026

O relatório O futuro do RH no Brasil, produzido pela Dell, indica que mais de 70% dos RHs já automatizam processos e 89% pretendem automatizar dentro do futuro próximo. No entanto, 25% das empresas ainda seguem sem utilizar softwares de RH e apenas 42% adotaram IA em algum processo.

 

Isso só é possível porque a tecnologia abriu novas fronteiras para o RH. A inteligência artificial, por exemplo, já vem sendo utilizada como parceira na seleção, na leitura de dados e até nas conversas de performance, transformando análises que antes eram subjetivas em decisões baseadas em evidências. As ferramentas de people analytics também ganham força, permitindo que líderes entendam o que realmente motiva, retém e desenvolve seus times, sem depender apenas da intuição ou da percepção individual.

 

O equilíbrio da tecnologia com a sensibilidade

Outro movimento que deve se consolidar é a integração entre tecnologia e sensibilidade humana. Segundo um levantamento da Deloitte, 79% dos líderes de RH acreditam que a transformação digital é essencial para o futuro da gestão de pessoas. Entretanto, a tecnologia por si só não basta, pois é preciso humanizar processos. Nesse contexto, os líderes que se destacarem em 2026 serão aqueles capazes de usar dados para orientar decisões sem abrir mão do olhar genuíno e, assim, o RH estratégico se fortalece como ponte entre o racional e o emocional.

 

Modelos de trabalho

Os modelos de trabalho também entram nessa equação. Os formatos híbrido e remoto vêm se consolidando nos últimos anos como modelos que permitem uma maior flexibilidade. Segundo uma pesquisa realizada pela Gartner em 2023, cerca de 75% dos líderes empresariais pretendem adotar o trabalho híbrido de forma permanente em suas organizações, devido ao aumento da satisfação dos colaboradores e à redução de custos operacionais.

 

Apesar dos números favoráveis ao híbrido e ao remoto, é importante reconhecer que cada modelo apresenta vantagens e limitações e que a escolha ideal depende do momento e das necessidades estratégicas de cada empresa. Embora formatos flexíveis tragam benefícios relevantes, o trabalho presencial ainda se destaca como um dos modelos mais eficazes para muitos negócios. Entre suas principais garantias estão a construção mais rápida de vínculos, o estímulo à colaboração espontânea, o fortalecimento da cultura organizacional e a aceleração do aprendizado, especialmente para profissionais em início de carreira.

 

A geração Z e a pressão por novos modelos de gestão

A chegada da geração Z ao mercado de trabalho também vem acelerando transformações nas empresas. Mais conectados, informados e exigentes quanto a propósito e bem-estar, esses profissionais desafiam modelos tradicionais de liderança e gestão e trazem expectativas de flexibilidade e demandas por ambientes inovadores e tecnológicos. No Relatório de Tendência de Gestão de Pessoas 2025, desenvolvido pelo Ecossistema GPTW e Great People, a geração Z foi apontada por 76% dos entrevistados como o maior desafio para a gestão de pessoas, muito à frente dos Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1964), com 8%.

 

Do meu ponto de vista, muitas empresas têm se perdido nesse debate. Embora seja fundamental que gestores se comuniquem na mesma linguagem de suas equipes, não acredito que o caminho seja moldar as organizações exclusivamente ao que a geração Z diz desejar.

 

Existem jovens com perfis, ritmos e formas de trabalhar muito distintas, e o papel da empresa é ter (e dar) clareza sobre suas características e seus atrativos e sustentar isso de forma consistente. E essa clareza, aliás, é algo que a própria geração Z valoriza profundamente. Assim como nas redes sociais, onde se destacam as pessoas que assumem posições, demonstram autenticidade e não têm medo de expor seus pontos de vista, ainda que isso desagrade parte da audiência, no ambiente corporativo acontece o mesmo.

 

Quem se posiciona constrói confiança. Já quem vive “em cima do muro”, apenas seguindo tendências e evitando escolhas conscientes, perde força, relevância e capacidade de atrair os talentos certos. Quando a cultura é transparente, cada indivíduo consegue avaliar se aquele ambiente é compatível com quem é e com o que busca, independentemente da geração a que pertence.

 

Cultura mensurada, não apenas declarada

A cultura organizacional, por sua vez, deixa de ser um discurso e passa a ser mensurada. Ferramentas de monitoramento de clima, engajamento e comportamento permitirão que líderes compreendam, com precisão, as necessidades reais de suas equipes, criando ambientes cada vez mais propícios ao desenvolvimento humano e à evolução dos times.

 

O que antes dependia de percepções subjetivas passa a ser apoiado por dados que revelam padrões, desafios e oportunidades de crescimento. Integradas a plataformas que conectam propósito, performance e bem-estar, essas métricas tornam a cultura mais palpável e acionável. Assim, em vez de agir apenas para evitar crises, as empresas passam a usar informação qualificada para fortalecer vínculos, potencializar talentos e promover experiências de trabalho mais coerentes e saudáveis.

 

Em um cenário de mudanças rápidas e escassez de talentos qualificados, o papel do RH é garantir que a empresa aprenda e se adapte mais rápido do que o mercado. Isso exige líderes capazes de testar, medir, liderar e aprimorar continuamente suas práticas, como qualquer outra área estratégica do negócio. O RH que se destaca em 2026 não é o que adota todas as ferramentas novas, mas o que sabe usá-las de forma inteligente, a serviço de uma cultura viva, humana e de alta performance.

 

Por fim, o grande salto da área está em deixar de ser mediadora para se tornar catalisadora: impulsionando a inovação, fortalecendo a cultura e criando um ambiente onde o crescimento individual e o crescimento do negócio caminham lado a lado. Em 2026, o RH que fará diferença será aquele que entende que tecnologia não substitui a liderança, mas com certeza amplia o seu alcance.

 

 

* Giovanna Gregori Pinto é executiva de RH e fundadora da People Leap

 

 

Foto: Divulgação

 

Últimas notícias

Imagem da matéria A clareza que ainda nos falta na comunicação
A clareza que ainda nos falta na comunicação
Artigos - 16/01/2026 - 11h26
Expert no assunto, Denise Joaquim Marques traz reflexões práticas para a construção de vínculos mais maduros
Ver MAIS
Imagem da matéria Quando o silêncio provoca ruídos difíceis de ignorar
Quando o silêncio provoca ruídos difíceis de ignorar
Artigos - 15/01/2026 - 19h06
Por que jovens entusiasmados no processo seletivo perdem o vigor depois de contratados
Ver MAIS
Imagem da matéria Grupo Zonta promove mais de 1.200 colaboradores em 2025
Grupo Zonta promove mais de 1.200 colaboradores em 2025
Desenvolvimento Profissional - 15/01/2026 - 18h11
Empresa aposta em universidade corporativa para suprir escassez de mão de obra no Sul
Ver MAIS
Imagem da matéria Comp lança report inédito que revela o DNA das empresas mais maduras em remuneração no Brasil
Comp lança report inédito que revela o DNA das empresas mais maduras em remuneração no Brasil
Publieditorial - 15/01/2026 - 11h03
Estudo analisa padrões de eficiência, governança e arquitetura de cargos das 21 vencedoras do Prêmio Maturidade
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Tendências - 28/08/2025 - 17h46
Iniciativa está relacionada ao novo ciclo da companhia, focado na consolidação do IA Commerce
Ver MAIS
Imagem da matéria O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
Artigos - 07/08/2025 - 17h10
Com intencionalidade e consistência, o básico bem feito tem gerado os melhores resultados, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Saúde física dos colaboradores: por que investir na TotalPass?
Saúde física dos colaboradores: por que investir na TotalPass?
Publieditorial - 17/03/2025 - 13h10
São mais de 23 mil academias e estúdios parceiros, como Smart Fit e Bio Ritmo
Ver MAIS
Imagem da matéria Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Radar - 12/12/2025 - 15h50
A volta da busca por estabilidade no emprego é uma delas, de acordo com dados da companhia
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias