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09/09/2025 - 10h42 Artigos

Sem diretrizes e uma avaliação precisa para uso de IA no RH, o risco supera o potencial

Leandro Oliveira, da Humand, frisa: mais importante que escolher a ferramenta certa é lidar com os gargalos da área


 

 

Por Leandro Oliveira*

 

A transformação digital acelerou a corrida das empresas por soluções capazes de elevar eficiência, reduzir custos e fortalecer a inteligência organizacional. Mais recentemente, a inteligência artificial despontou como principal aliada dos setores, especialmente no RH. Seu impacto na área é tamanho que a discussão atual não passa mais pela adoção ou não da tecnologia, mas como integrá-la de forma eficaz para gerar valor real.

 

A área de Recursos Humanos, historicamente sobrecarregada por tarefas operacionais, têm considerado se reinventar com o uso da IA, que automatiza tarefas burocráticas como triagem de currículos, feedbacks e planos de desenvolvimento personalizados. Isso torna as jornadas mais alinhadas aos colaboradores. Segundo um estudo da Deloitte, o uso adequado da tecnologia aumenta em 18% a interação entre equipes e em 22% a satisfação dos funcionários.

 

No entanto, para obter esses benefícios, é essencial resolver gargalos como a falta de visibilidade em tempo real, a comunicação interna falha e processos mecânicos. Manuais de boas práticas e diretrizes estratégicas ajudam a identificar a maturidade da área e orientar melhorias com o apoio da tecnologia.

 

A IA pode ser a chave para automatizar frentes importantes, centralizando informações, o que oferece aos gestores um painel inteligente para tomada de decisões, reduzindo ruídos, melhorando a produtividade e fortalecendo a cultura de dados nas organizações, além de reduzir o retrabalho.

 

Tudo isso representa uma transformação no papel do RH, que deixa de ser um mero executor para figurar como arquiteto de experiências e analista estratégico. A máxima aqui é aproveitar o potencial humano e efetivamente valorizá-lo para aprofundar a conexão, desenvolver talentos e cultivar a cultura ao mesmo tempo em que a tecnologia assume o papel repetitivo.

 

Porém, o sucesso da adoção tecnológica depende da forma como ela é implementada. Mais importante que escolher a ferramenta certa é entender qual problema ela deve resolver, como atrasos no recrutamento, baixa produtividade ou falta de dados. Com esses entraves mapeados, a tecnologia se torna um meio, não um fim. Questionários aprofundados ajudam a avaliar o momento da área e orientar a aplicação correta das soluções.

 

Outro fator crítico é o engajamento dos times. Não é demais ressaltar que a principal barreira para adoção de novas tecnologias ainda é humana. É preciso deixar claro que a IA será uma aliada, não substituta. Tanto é que investir em capacitação para que os profissionais extraiam o melhor das ferramentas é tão importante quanto a própria aquisição das soluções.

 

Em suma, implementar IA no RH vai além de uma questão de modernização tecnológica. Empresas que souberem transformar a tecnologia em aliada, mapeando gargalos, integrando-a aos seus sistemas, rotinas e culturas, ganharão, principalmente, eficiência e relevância. Porque, no fim, o verdadeiro diferencial não está somente nos dados ou maquinário, mas em como ela libera a inteligência humana.

 

*Leandro Oliveira é diretor do Brasil e de EMEA da Humand

 

 

Foto: Divulgação/Humand

 

 

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