Na gestão da saúde mental, medo de falar ainda desafia ações das empresas
Segurança psicológica é necessária para que profissionais falem sobre suas dificuldades
Oferecer programas de apoio à saúde mental pode ter pouco efeito se os profissionais não se sentirem seguros para falar sobre as dificuldades que enfrentam. Para Cris Kerr, CEO da CKZ Diversidade, consultoria especializada em liderança e cultura inclusiva, a gestão da saúde mental passa, portanto, pela construção de relações de confiança e pela preparação das lideranças para identificar mudanças de comportamento, ouvir sem julgamento e orientar quem precisa de ajuda.
“A liderança não precisa ter todas as respostas e muito menos assumir o papel de profissional de saúde. Mas precisa saber escutar, criar relações de confiança, ter empatia para perceber mudanças importantes de comportamento e orientar as pessoas sobre os recursos de apoio disponíveis na organização”, afirma.
O desafio apontado pela executiva encontra respaldo em dados recentes. Embora 88% dos profissionais brasileiros afirmem que participariam de programas de apoio à saúde mental oferecidos pelos empregadores, 46% dizem não se sentir confortáveis para conversar sobre seus próprios problemas no ambiente de trabalho, segundo o Mind Health Report 2026, da AXA. Entre as principais barreiras para haver diálogo, 40% consideram o assunto estritamente privado e 16% temem repercussões na carreira ou até na segurança do emprego.
Para Cris, a aparente contradição mostra por que disponibilizar benefícios e programas não é suficiente: “Se quase metade das pessoas não se sente à vontade para falar sobre o que está vivendo, precisamos olhar para a qualidade das relações e das conversas que estamos construindo nas organizações. Não basta a empresa dizer que se preocupa com saúde mental se, no dia a dia, as pessoas ainda sentem que demonstrar cansaço, pedir ajuda ou admitir uma dificuldade pode prejudicar sua imagem profissional.”
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