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28/11/2025 - 17h51 Saúde e Bem-Estar

Insônia cresce no fim do ano e desafia o bem-estar corporativo

Especialista recomenda ao RH ajustes na gestão e no ritmo de trabalho em prol da produtividade


 

A sobrecarga típica do fim do ano, marcada por metas a cumprir, fechamento de projetos e avaliações de desempenho,  tem elevado o nível de exaustão entre profissionais. Dados recentes indicam que o burnout, reconhecido pela OMS como a doença ocupacional, tem crescido no país e tende a se intensificar nos meses finais do calendário.
 

Entre 2014 e 2024, o SUS registrou 1.458 notificações da síndrome, de acordo com a Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT). No INSS, os afastamentos aumentaram 136% entre 2019 e 2023. As mulheres concentram 71,6% das notificações, sobretudo na faixa dos 35 aos 49 anos.

 

O aumento do burnout tem sido acompanhado por um fator crítico: alterações no sono. Estudos do Instituto do Sono e da RBMT indicam forte correlação entre despertares noturnos e exaustão emocional. Uma pesquisa conduzida no Peru, publicada na Vive Salud, reforça que menos de sete horas de sono aumentam significativamente o risco da síndrome.

 

Pressão anual e queda na recuperação fisiológica

Segundo Sara Giampá, pesquisadora científica da healthtech Biologix, o fim do ano reúne três estressores principais que impactam a saúde do sono:

 

►Sobrecarga operacional: picos de demanda, planejamento do ano seguinte e entregas simultâneas intensificam a carga cognitiva e mantêm o organismo em estado de hiperativação.

 

►Redução do tempo de recuperação: agendas cheias, eventos sociais e jornadas prolongadas diminuem o tempo disponível para descanso, comprometendo a recuperação natural do organismo.

 

►Pressão emocional: expectativas de "encerrar o ano bem" aumentam a autocobrança e intensificam a resposta ao estresse, dificultando a desaceleração necessária para uma boa noite de sono.

 

O efeito combinado compromete funções como foco, tomada de decisão e gestão de conflitos. Sara assinala que o sono é um regulador fisiológico. Quando é interrompido por longos períodos, o organismo entra em estado de alerta contínuo, dificultando os processos de recuperação. “Isso compromete a produtividade e o equilíbrio emocional, por isso tantas equipes chegam ao fim do ano esgotadas", aponta.

 

Liderança e RH: o que as empresas podem fazer

Para mitigar os picos de exaustão, a especialista reforça que as empresas devem rever ciclos de trabalho, incorporando à cultura organizacional a gestão de carga, a promoção da saúde mental e a educação sobre o sono. As recomendações incluem:

 

►Estabelecer ciclos de trabalho que prevejam pausas estratégicas;

 

►Evitar concentrações excessivas de entregas no mesmo período;

 

►Ampliar a autonomia das equipes para organizar rotinas;

 

►Oferecer workshops sobre saúde do sono e gerenciamento de estresse;

 

►Monitorar indicadores de exaustão e absenteísmo.

 

"Equipes que descansam melhor tomam decisões mais assertivas, têm menos conflitos e mantêm maior engajamento", afirma Sara. Para ela, incluir o descanso nas políticas de RH tende a ganhar força em 2026. "Reconhecer que o fim do ano exige ajustes no ritmo de trabalho e incorporar isso à gestão será decisivo para manter a performance no próximo ciclo."

 

 

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