25% dos executivos C-level já se arrependeram de postar algo pessoal em redes sociais
Pesquisa mostra ainda que 86% já deixaram de se expressar por receio de prejuízos na carreira
Como os profissionais do alto escalão lidam com a exposição pública, em especial quando falamos de compartilhamento de informações nas redes sociais? Quais os limites estabelecidos e compreendidos pelos próprios executivos? Essas perguntas foram feitas pela Soul HR Consulting, consultoria de RH para executivos C-level, a mais de 110 lideranças. Embora 91% tenham afirmado equilibrar bem sua exposição pública e privada, os dados revelam uma contradição importante: quando questionados se já viveram situações nas quais falaram demais sobre sua vida pessoal no trabalho, mais da metade (55%) admitiu ter ultrapassado o limite. O número não difere muito entre os gêneros: 52% dos homens e 40% das mulheres.
Para evitar se comprometerem, 86% do levantamento disseram que já se calaram ou deixaram de compartilhar vulnerabilidades por medo de se prejudicar profissionalmente, o demonstra a percepção de que o ambiente corporativo talvez não seja o lugar ideal para compartilhar fragilidades pessoais.
"Os dados mostram que muitos executivos ainda vivem um dilema entre ser autênticos e se proteger. Existe a intenção de se posicionar de forma mais humana, mas o receio de interpretações equivocadas ou impactos na carreira leva à autocensura. No fim, o equilíbrio não está em se expor mais ou menos, mas em ter clareza e intenção sobre o que desejar compartilhar, quando e o porquê compartilhar", destaca Lucia Costa, sócia da Soul HR Consulting e responsável pelo levantamento.
DECIFRA-ME OU TE DEVORO!
Na contramão dos discursos em que líderes devem se abrir para criar empatia e engajamento, 46% dos respondentes veem a exposição de informações pessoais como prejudicial à carreira, enquanto apenas 11% enxergam algum ganho real e somente 1,25% acredita que a exposição pessoal contribui muito para o crescimento profissional.
Os dados também indicam que o receio de se expor não está necessariamente ligado a punições formais, já que o feedback negativo explícito sobre informações pessoais se mostrou raro – somente 7,5% disseram ter recebido um retorno claro. Isso sugere que o controle exercido nas organizações ocorre de forma cultural e implícita, e não por regras claras ou sanções diretas.
Esse cenário também se estende ao ambiente digital, pois um em cada quatro profissionais (25%) já se arrependeu de ter publicado algo pessoal por causa do trabalho, reforçando a ideia de autovigilância entre o público e o privado.
"Existe um discurso sedutor sobre autenticidade, mas a prática ainda é de uma leitura bem cuidadosa do ambiente em que cada um está inserido. Os executivos sabem que nem toda exposição gera conexão e que, muitas vezes, o risco está menos no que se diz e mais em como isso será interpretado. No ambiente digital, onde o contexto se propaga com muito mais intensidade, esse cuidado se amplia. No fim, liderar também é saber ler o ambiente antes de se mostrar por inteiro", finaliza Lucia.
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