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01/10/2025 - 22h11 Indicadores

Medo de demissão ou retaliação silencia profissionais que já sofreram assédio moral

Estudo mostrou, ainda, que 57% já presenciaram situações de assédio sexual no trabalho


 

 

A consultoria Think Eva, em parceria com o LinkedIn, realizou uma nova edição da pesquisa Trabalho Sem Assédio 2025, que reforça o assédio no ambiente de trabalho como uma realidade recorrente para profissionais em todo o Brasil. Segundo o levantamento, quase metade das pessoas ouvidas já vivenciou assédio moral no trabalho e 48,5% delas afirmaram não denunciar esse tipo de violência por medo de retaliação ou demissão.

 

Apesar dos avanços e da maior visibilidade sobre o tema, a pesquisa mostra que o assédio moral é o tipo de violência mais citado no ambiente profissional. O cenário é agravado pelos sentimentos de insegurança, exposição e descrédito, que dificultam a tomada de atitude por parte das vítimas e alimentam a subnotificação.

 

“Estamos diante de um cenário que exige ação imediata e estratégica das lideranças. A subnotificação do assédio e a baixa adesão aos canais de denúncia indicam um problema que vai além da gestão de pessoas, sendo reflexo de estruturas organizacionais que ainda falham em garantir acolhimento, segurança psicológica e confiança para seus profissionais. Essa inação tem um custo altíssimo, impactando diretamente a retenção de talentos, derrubando a produtividade e manchando a reputação”, afirma Ana Plihal, executiva de Soluções de Talento do LinkedIn no Brasil.

 

ASSÉDIO SEXUAL ATINGE UM TERÇO DAS MULHERES

O estudo revela que o assédio sexual ainda está amplamente presente nos ambientes profissionais. Mais de um terço das mulheres afirma já ter vivido esse tipo de situação ao longo da carreira, enquanto 57% dos profissionais, homens e mulheres, dizem já ter presenciado episódios de assédio sexual no trabalho, mesmo que não tenham sido diretamente afetados. Os dados mostraram, inclusive, que 75% das pessoas que já vivenciaram ou testemunharam situações de assédio em seus trabalhos identificaram esse tipo de agressão pelo menos uma vez ao mês.

 

Apesar da alta incidência, o encaminhamento para canais formais é ainda mais raro nesSes casos. Apenas 10% das mulheres que já sofreram assédio sexual no trabalho recorreram aos canais oficiais de denúncia oferecidos pelas empresas. Entre os principais motivos apontados estão o medo da impunidade, da exposição pública e da minimização do caso por colegas ou lideranças.

 

A pesquisa revelou que apenas 35% dos casos são de conhecimento das empresas e cerca de 50% dos colaboradores brasileiros não enxergam ações voltadas para isso nas organizações onde trabalham, destacando a necessidade de implementação de canais internos de denúncia eficazes e de políticas antiassédio robustas no ambiente corporativo.

 

“É preciso coragem para enfrentar esse problema e garantir um ambiente de trabalho seguro e inclusivo de verdade. Fomentar uma cultura organizacional ética e a confiança nos canais de denúncia e protocolos de apuração não é bom só para os colaboradores, mas também para os negócios”, sinaliza Maíra Liguori, cofundadora da Think Eva.

 

Mesmo entre profissionais de empresas obrigadas a implementar ações de prevenção ao assédio, conforme determina a Lei Emprega + Mulheres (Lei 14.457/22), 83% afirmam desconhecer a existência da legislação ou suas obrigações básicas. O dado sugere que a falta de comunicação interna e formação contínua sobre o tema ainda representa um gargalo relevante. Para além das políticas da empresa, os profissionais precisam ter acesso a recursos que os ajudem a compreender seus direitos, aprender a utilizar os canais de denúncia de forma eficaz.

 

EFEITOS DIRETOS NA SAÚDE MENTAL E NAS CARREIRAS

A pesquisa mostra que o assédio no trabalho, seja moral ou sexual, impacta diretamente a saúde emocional e a trajetória profissional das pessoas.

 

Entre quem passou por assédio moral, os sintomas mais citados são desânimo (43%), ansiedade e depressão (34%) e queda na autoconfiança (33%). O impacto na carreira também é inevitável: 1 em cada 6 profissionais pediu demissão após vivenciar esse tipo de violência, e 1 em cada 3 repensou seus planos de carreira. No caso do assédio sexual, mais de um terço das mulheres afirmam já ter enfrentado essa situação, e 16% delas deixaram seus empregos como consequência direta.

 

Os dados da pesquisa foram coletados entre abril e maio, por meio de 3.128 entrevistas em todo o Brasil. O estudo teve margem de erro de 1,7 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

 

 

Foto: Shutterstock

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