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25/06/2020 - 17h18 Indicadores

Procura por teleatendimento psicológico aumentou 150% na quarentena

Especialista alerta sobre a necessidade de tratamento para evitar agravamento no curto prazo


 

 

A lista é longa: luto patológico, depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, insônia, compulsão alimentar, abuso do uso de álcool, ideação suicida, burnout ou esgotamento mental. Esses são transtornos que vêm afetando 60% dos profissionais em home office atendidos pelo serviço de teleatendimento da empresa de medicina ocupacional Qualiforma, que atua em toda a região Sudeste do país.

 

O mapeamento apresenta um recorte da saúde mental do trabalhador brasileiro na quarentena e aponta que houve um aumento de 150% na procura pelo seu serviço de teleatendimento psicológico, que é composto hoje por 90% de novos pacientes. Tomou-se como base cerca de 500 sessões de teleatendimento psicológico, oferecidas a mais de 250 funcionários de empresas que atuam em diferentes ramos da economia.

 

"Mapeamos as principais queixas relatadas durante o home office para entendermos melhor o que estão passando e como podemos ajudá-las de forma mais eficaz no futuro", comenta Gabriel Diniz, sócio e diretor de Negócios da Qualiforma.

 

Ele lembra que, em crises socioeconômicas muito agudas, como guerras e pandemias, doenças psíquicas atingem cerca de um terço da população, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Entre profissionais de saúde, esse índice atinge metade das pessoas.

 

"A fase mais aguda das crises de estresse, ansiedade e depressão costuma acontecer após 6 a 12 meses", acrescenta Diniz. Ele reforça que, se esses trabalhadores não se tratarem agora, poderão apresentar quadros muito mais graves daqui a algum tempo. "Não existem desenvolvimento e produtividade sustentável, a médio e longo prazos, em um ambiente onde as pessoas não têm saúde e os relacionamentos não são saudáveis."

 

Entre os  problemas relatados, estão medo de morrer ou perder algum ente querido; tédio e rotina desregrada; insegurança quanto à manutenção do emprego e da renda; transtornos decorrentes do confinamento, como claustrofobia, perda de privacidade, excesso de demandas domésticas, falta de espaço adequado para trabalhar e se exercitar. A disparada na procura pelo atendimento psicológico se deu após o início do home office, quando o serviço passou a ser oferecido por telefone.

 

Entre outros dados do levantamento, 68% afirmam estar trabalhando pelo menos uma hora a mais do que trabalhavam antes da pandemia e 21% dizem estar excedendo o expediente em até quatro horas por dia. Grande parte relata também esgotamento mental, acentuado pela busca excessiva por informações de como solucionar os problemas atuais.

 

"Um estudo da Universidade da Califórnia mostra que gastamos mais energia numa reunião virtual, porque fazemos maior esforço para nos comunicar, aumentando o tom de voz e tencionando pescoço e o músculo do trapézio", comenta o especialista, acrescentando que 78% não estão seguindo as exigências mínimas de ergonomia em casa. "Todas essas circunstâncias são gatilhos que desencadeiam os transtornos psicossomáticos apresentados pelos pacientes."

 

Diniz destaca que licenças médicas por problemas psicológicos costumam ter maior duração, pois os tratamentos são de longo prazo, principalmente quando o paciente já se encontra em um quadro de maior gravidade. "Dores nas costas, por exemplo, costumam exigir 14 dias de afastamento, em média. Já um quadro de depressão pode deixar o funcionário inapto para o trabalho por meses."

 

Foto de abertura: Valeria Ushakova/Pexels

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