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13/08/2026 - 12h28 Gestão

Falta de sucessores pode provocar onda de venda de empresas familiares no Brasil

Segundo especialista, as novas gerações estão dando preferência a outros caminhos na carreira profissional


O Brasil começa a viver uma mudança estrutural que pode provocar a maior onda de venda de empresas da história recente, de acordo com Lucas Mendes, CEO da consultoria Helping Hand, especializada em avaliação, fusões e aquisições (M&A) de empresas. Segundo ele, o envelhecimento dos fundadores aliado à mudança de comportamento das novas gerações está fazendo com que muitos empresários deixem de preparar os filhos para assumir os negócios da família e passem a considerar a venda das empresas como principal estratégia de sucessão.

 

Esse fenômeno acompanha uma transformação no perfil dos herdeiros: muitos optam por construir carreiras próprias, empreender em novos setores ou atuar em áreas ligadas à tecnologia, inovação e economia digital. Na prática, isso reduz o número de sucessores dispostos a dar continuidade aos negócios familiares e aumenta o interesse de empresários por processos de venda, entrada de investidores e profissionalização da gestão.

 

A tendência é reforçada pela Pesquisa Global NextGen 2024, da PwC, que mostra que as novas gerações desejam participar das decisões patrimoniais da família, mas têm prioridades profissionais diferentes das gerações anteriores. O estudo aponta que empresas familiares enfrentam um momento decisivo para revisar seus modelos de sucessão e governança diante das mudanças de expectativa dos futuros herdeiros.

 

A relevância das empresas familiares na economia pode ser dimensiona nos dados do IBGE reunidos pela PwC: elas representam cerca de 65% do PIB nacional e respondem por aproximadamente 75% dos empregos formais do país. Estima-se ainda que cerca de 90% das empresas brasileiras tenham origem familiar, tornando a sucessão um tema de impacto em diferentes setores.

 

Outro indicador evidencia o desafio. Levantamentos citados pelo Sebrae e pelo Banco Mundial mostram que apenas cerca de 30% das empresas familiares conseguem chegar à terceira geração, reflexo das dificuldades de planejamento sucessório e da falta de continuidade na gestão.

Para Lucas, a mudança representa uma ruptura importante no modelo tradicional de sucessão empresarial brasileira. "O maior risco não será uma crise econômica, mas a ausência de sucessores. Durante décadas, acreditou-se que os filhos naturalmente assumiriam os negócios da família. Hoje essa lógica mudou”, aponta o executivo. Nesse contexto, vender o negócio deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.

 

Esse movimento, prossegue ele, também muda a forma como empresários precisam enxergar seus próprios negócios. Empresas construídas exclusivamente em torno da figura do fundador tendem a enfrentar mais dificuldades para atrair compradores ou investidores. Em contrapartida, organizações profissionalizadas, com governança estruturada e processos consolidados, tornam-se mais valorizadas durante negociações de M&A.

 

A própria Helping Hand sente um crescimento da procura por serviços de valuation, preparação para venda e estruturação empresarial justamente entre empresários que começam a planejar sua sucessão sem a perspectiva de transferência familiar. Na avaliação da empresa, pequenas e médias empresas deverão concentrar grande parte desse movimento nos próximos anos, criando uma janela inédita de oportunidades para fundos de investimento, grupos estratégicos e investidores financeiros interessados em adquirir negócios consolidados.

 

 

Foto: Shutterstock

 

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