Humilhações e intimidações no trabalho não devem ser vistas como brincadeira
Professora da Anhembi Morumbi aponta a necessidade de lideranças preparadas e canais seguros de denúncia
Quando em uma empresa tolera-se ou ignora-se práticas como comentários constrangedores, humilhações em reuniões ou cobranças excessivas – só para citar alguns exemplos –, cria-se um ambiente propício para o desenvolvimento do assédio moral e o comprometimento significativo da saúde mental dos trabalhadores.
Márcia Reis, psicóloga e professora da Universidade Anhembi Morumbi, integrante do grupo Ânima, assinala que a prevenção é a estratégia mais eficaz para evitar o agravamento de conflitos no ambiente de trabalho. “Nenhuma organização espera que situações graves ocorram dentro de suas dependências. Contudo, muitas vezes pequenas manifestações de violência são naturalizadas diariamente sob a justificativa de serem brincadeiras, formas de integração, perfil da equipe ou até mesmo pressão normal do ambiente corporativo”, aponta.
As empresas, orienta a professora, precisam deixar claro, e de forma permanente, qual é a sua posição diante de qualquer forma de violência psicológica. Entre as medidas recomendadas estão: estabelecer e divulgar políticas claras de prevenção ao assédio moral e sexual; promover treinamentos periódicos para líderes e equipes; realizar campanhas de conscientização; desenvolver competências relacionadas à comunicação respeitosa, diversidade, inclusão e gestão saudável de conflitos; e oferecer canais de denúncia terceirizados e seguros, com garantia de sigilo, imparcialidade e proteção contra possíveis retaliações.
A existência desses canais é um dos caminhos para que os trabalhadores possam relatar situações inadequadas sem medo. “Se o colaborador acredita que sua denúncia será ignorada, minimizada ou utilizada contra ele, dificilmente buscará ajuda. E quando o silêncio se instala, os problemas tendem a crescer longe dos olhos da gestão”, avalia.
LÍDERANÇA ATIVA
Mudanças de comportamento, isolamento, queda repentina de desempenho, aumento do absenteísmo, irritabilidade, conflitos frequentes e manifestações de ansiedade podem ser importantes indicadores de que um colaborador está enfrentando dificuldades. E observar esses sinais, diz Márcia, é apenas parte da responsabilidade da liderança. “Líderes eficazes influenciam a cultura organizacional por meio de suas próprias condutas. O respeito, a ética, a empatia e a comunicação assertiva precisam ser demonstrados diariamente nas relações de trabalho”, orienta a profissional.
Quando gestores acolhem diferentes perspectivas, realizam feedbacks de forma construtiva, valorizam as contribuições das equipes e intervêm diante de comportamentos inadequados, fortalecem um ambiente de segurança psicológica e respeito mútuo.
Ela lembra ainda que, da mesma forma que as organizações investem na prevenção de acidentes físicos por meio de equipamentos, treinamentos e protocolos de segurança, é necessário compreender que ambientes psicologicamente seguros também precisam ser construídos de maneira intencional e contínua.
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