Imagem da matéria Diversidade cognitiva é o próximo passo para a inclusão corporativa
24/07/2025 - 18h35 Diversidade & Inclusão

Diversidade cognitiva é o próximo passo para a inclusão corporativa

Empresas que apostam na neurodiversidade de forma genuína colhem ganhos em performance e criatividade


 

A diversidade cognitiva começa a ganhar espaço nas discussões corporativas, mas o avanço ainda é tímido e, muitas vezes, limitado, com ações pontuais. Iniciativas como oferecer fones antirruído ou adotar horários flexíveis são importantes, mas se tornam insuficientes quando não integram uma transformação cultural mais ampla. Na prática, isso leva a uma exclusão silenciosa de profissionais neurodivergentes, justamente aqueles com potencial para gerar inovação, elevar a performance e propor novas soluções.

 

Os dados evidenciam a necessidade de mudança: uma pesquisa da McKinsey apontou que cerca de 20% da população mundial apresenta traços neurodivergentes, como autismo, TDAH, dislexia e dispraxia. Ainda assim, 80% dessas pessoas estão desempregadas ou subempregadas, mesmo que tenham formação no ensino superior.

 

Para muitos, o estigma pesa mais do que a qualificação: metade prefere não revelar sua condição no ambiente de trabalho, segundo Lawrence Fung, professor Associado do Departamento de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Universidade Stanford e diretor do Projeto de Neurodiversidade da instituição.

 

E a diversidade cognitiva não está restrita às posições iniciais. Exemplos como JetBlue, Ikea e Virgin Group, todas fundadas por líderes com TDAH, mostram como a neurodivergência pode estar no centro de culturas inovadoras e modelos de negócio bem-sucedidos.

 

Para Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, empresa do Talenses Group especializada em recrutamento de talentos em início de carreira, o principal obstáculo à inclusão efetiva não é a falta de intenção, mas a rigidez dos modelos corporativos tradicionais, ainda centrados no conceito de "fit cultural" e na expectativa de adaptação unilateral.

 

"A maioria das empresas ainda tenta encaixar esses profissionais em estruturas pensadas para um único padrão de comportamento. Só que precisamos adaptar o ambiente para colhermos o máximo dessa pluralidade cognitiva. Isso não se faz com protocolos, e sim revisando como recrutamos, gerimos e nos comunicamos. Empresas que entendem isso, saem na frente não só em diversidade, mas em capacidade de inovação e resposta a cenários complexos.", afirma.

 

Na prática, trata-se de revisar processos seletivos, deixar expectativas explícitas, oferecer avisos prévios para entrevistas e manter diálogos abertos sobre estilos de trabalho. Superar as barreiras do chamado hidden curriculum, ou currículo oculto, de regras sociais implícitas do ambiente corporativo, é fundamental para garantir permanência e desenvolvimento desses talentos.

 

Casos como nas empresas SAP e Hewlett-Packard Enterprise mostram que resultados concretos surgem quando há espaço para a diferença. Na alemã SAP, o programa Autism at Work revelou profissionais altamente qualificados que vinham sendo descartados por processos seletivos tradicionais. Na HPE, uma equipe neurodiversa contribuiu para reestruturar o processo de lançamento de projetos de um cliente, a partir de perguntas que só surgiram justamente por enxergarem o caos de forma diferente.

 

Quando há curiosidade genuína sobre outras formas de pensar, a inovação deixa de ser promessa e se torna prática. Incluir a neurodivergência não é apenas uma questão de equidade. É uma estratégia inteligente para empresas que querem evoluir.

 

 

Foto: Shutterstock

Últimas notícias

Imagem da matéria O que faz um profissional se sentir valorizado no trabalho
O que faz um profissional se sentir valorizado no trabalho
Gestão de Pessoas - 08/10/2026 - 15h44
Especialista aponta sinais de que a empresa reconhece seus funcionários de verdade
Ver MAIS
Imagem da matéria GTF anuncia novo diretor de Gente e Cultura
GTF anuncia novo diretor de Gente e Cultura
Gente - 08/10/2026 - 15h35
Com mais de 20 anos de atuação em RH, Fábio Adriano Pereira passou por empresas como Seara e Minerva Foods
Ver MAIS
Imagem da matéria Sophia Ribeiro é a nova diretora de RH para América Latina da Lindt
Sophia Ribeiro é a nova diretora de RH para América Latina da Lindt
Gente - 07/10/2026 - 10h20
Executiva trilha sua carreira na área há 27 anos, com atuação em grandes empresas, como Nokia, Pandora e Melitta
Ver MAIS
Imagem da matéria Palco Mundo Pessoas será o grande espaço de conteúdos para RH no Universo TOTVS
Palco Mundo Pessoas será o grande espaço de conteúdos para RH no Universo TOTVS
Publieditorial - 06/10/2026 - 14h33
Trilha 100% dedicada a Recursos Humanos reunirá grandes nomes corporativos, atleta olímpico e mentoria inédita
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Recrutamento & Seleção - 26/02/2026 - 10h59
Chamada de A.R.A - Agente Robótica Aramis, solução fortalece a estratégia fashion tech da companhia
Ver MAIS
Imagem da matéria O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
Artigos - 27/04/2026 - 12h27
CEO do Andbank conta como a rotina de ciclismo, triathlons e maratonas contribui no seu desempenho como líder
Ver MAIS
Imagem da matéria Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Diversidade & Inclusão - 07/05/2026 - 10h43
Mas, ao se tornarem mães, mulheres ainda enfrentam dificuldades para manter o emprego, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Radar - 12/12/2025 - 15h50
A volta da busca por estabilidade no emprego é uma delas, de acordo com dados da companhia
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias