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01/03/2023 - 17h48 Diversidade & Inclusão

Remuneração é a principal razão de insatisfação entre os profissionais de dados

Apesar de o mercado seguir aquecido, salário sobe abaixo da inflação, aponta pesquisa Bain Company | Data Hackers


 


Apesar da recente onda de demissões nas chamadas big techs (as grandes empresas de tecnologia), a pesquisa State of Data 2022, realizada pela consultoria Bain & Company e pelo Data Hackers, aponta que o mercado de trabalho brasileiro para os profissionais de dados segue bastante aquecido e com alta demanda pelas empresas. Entretanto, ainda se houve dizer que faltam trabalhadores qualificados para ocupar as vagas. O problema talvez esteja nas remunerações oferecidas.

 

O raio-x sobre os profissionais de dados no Brasil ouviu 4.270 pessoas em todo o país, com atuação na área de dados em diferentes funções – analistas, cientistas e engenheiros – e níveis de experiência profissional, incluindo analistas júnior, pleno, sênior e gestores.

 

De acordo com o estudo, há uma estagnação na remuneração desses profissionais, depois do crescimento expressivo de 40% entre 2019 e 2021. A variação média da remuneração em 2022 foi 4%, menor que a inflação do mesmo período (5,9%). A maior variação positiva por faixa salarial se encontra entre os profissionais que ganham acima de R$ 16 mil por mês (15,1% em 2022 ante 13,0% em 2021). Já os níveis mais baixos de remuneração registraram pouca variação.

 

A pesquisa ainda revela que 33,7% das empresas com até 100 funcionários ainda não possuem profissionais de dados. A proporção aumenta conforme o porte: 74,1% daquelas com mais de 3 mil funcionários possuem pelo menos 50 profissionais de dados. Os segmentos de tecnologia, serviços financeiros e varejo lideram entre os segmentos que mais possuem profissionais de dados em seus quadros de funcionários.

 

Lucas Brossi, sócio e head de Advanced Analytics da Bain & Company, assinala que a pesquisa mostra importantes avanços, como o notório crescimento desse segmento em companhias dos mais variados setores e a atração de profissionais com outras expertises. “Mas identificamos também desafios para as empresas, como a retenção de talentos e o necessário avanço por mais diversidade", avalia.

 

MUDANÇA DE EMPREGO

Apesar de 74,2% dos profissionais de dados continuarem satisfeitos com seus empregos atuais, o percentual daqueles abertos a novas oportunidades disparou, passando de 40,2% em 2021 para 64,9% no atual levantamento.

 

Entre insatisfeitos com o emprego atual, os motivos mais comuns são falta de oportunidades de crescimento (44%) e salário não compatível com o mercado (39,2%). O motivo mais relevante em 2021, a falta de maturidade analítica da empresa, agora é apenas o terceiro mais citado, com 38,4%.

 

A intenção de mudar de emprego nos próximos seis meses está diretamente relacionada ao nível de satisfação com a ocupação atual. Para os profissionais satisfeitos, 13,1% estão em busca de novas oportunidades dentro e fora do Brasil e 10% procuram emprego apenas fora do país. Ainda que não estejam ativamente à procura de novas oportunidades, 41,9% estão abertos a propostas, com um percentual relativamente constante entre todos os níveis de cargo e maior incidência entre profissionais de nível sênior (44,2%).

 

REMUNERAÇÃO É CRITÉRIO MAIS IMPORTANTE

O principal critério levado em consideração pelos profissionais de dados para escolher uma empresa é a remuneração, razão que recebeu 75,2% do total de menções. A flexibilidade em relação ao trabalho remoto é o segundo item mais mencionado (53,7%) e reforça o efeito prolongado do impacto da pandemia da covid-19 nas relações de trabalho.

 

O aquecimento do setor e o esforço das empresas rumo à digitalização provocou outro movimento interessante: a migração de profissionais de outros segmentos para a área de dados e o surgimento de novas posições relacionadas à analytics nas empresas. O número de profissionais com formações não relacionadas a tecnologia e exatas passou de 7,7% em 2021 para 13,5% em 2022.

 

O DESAFIO DA INCLUSÃO

A pesquisa revela que ainda persiste uma considerável sub-representação da diversidade de grupos minorizados entre os profissionais de dados do Brasil. Em termos de gênero, apesar de representar 51,1% da população brasileira, as mulheres compõem apenas 24,5% desse mercado. Pardos e pretos, cuja proporção na população brasileira é de 47% e 9,1% respectivamente, representam apenas 24,5% e 6,6% dos profissionais. Por fim, pessoas autodeclaradas deficientes correspondem a 6,7% da população brasileira e apenas 1,7% da amostra.

 

Mais de 40% (42,6%) do público feminino afirmou ter sua experiência afetada de alguma maneira em função de seu gênero, número cai para 31,3% para os que se declararam com gênero "outro". Na dimensão de cor/raça/etnia, 57,8% dos profissionais pretos relataram problemas no trabalho em função da cor. Esse número cai para 21,7% entre os indígenas ou na categoria "outros", 18,3% entre os pardos e 14,3% entre os cor amarela. Para a dimensão deficiência, 36,7% das pessoas indicam problemas em sua experiência profissional justamente por causa da deficiência.

 

Os desafios de diversidade também impactam a remuneração dos profissionais. A pesquisa revela por exemplo que mulheres pardas e pretas ganham em média 23,1% menos que homens brancos em cargos de gestão.

 

 

Foto: Freepik/DCStudio

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