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01/08/2022 - 16h26 Diversidade & Inclusão

Assédio no trabalho faz parte da rotina de 46% das mulheres, aponta Nielsen

Ainda de acordo com a pesquisa, 54% já presenciaram prática de manterrupting e 48%, de mansplaining


 

 

 

A Nielsen, empresa de medição de audiência, dados e análises, divulgou informações inéditas da pesquisa Elas: comportamentos e barreiras, desenvolvida em parceria com Opinion Box, especializada em pesquisas de mercado online. Pela primeira vez, foram levantados dados sobre os conceitos de mansplaining (quando um homem explica algo a uma mulher, desconsiderando que ela já sabe sobre o tema) e de manterrupting (interrupção masculina na fala de uma mulher a ponto de impedi-la de emitir alguma opinião), ainda pouco difundidos, mas que, de acordo com os resultados, vêm sendo amplamente praticados.

 

Segundo a pesquisa, no caso do mansplaining, 48% das entrevistadas familiarizadas com o termo relataram já ter presenciado essa prática no trabalho, número que é ainda maior no manterrupting (54%). Em relação ao assédio no trabalho, 46% já o sofreram ou presenciaram.

 

Realizado entre 24 de fevereiro e 2 de março, o levantamento online contou com a participação de 1.000 pessoas (69% de mulheres; 24%, homens; e 7% não citaram o gênero).

 

SOBRE TER FILHOS

A pesquisa também apontou a dificuldade sentida por mulheres grávidas para contratação. A grande maioria das entrevistadas acredita que a possibilidade de engravidar pode ser usada como empecilho em entrevistas de emprego. De acordo com o levantamento, 88% das respondentes concordam que a gravidez pode ser considerada um motivo para não contratá-las. Além disso, 75% afirmam que isso pode ser uma razão para questionar sua capacidade de trabalho. Apenas 13% discordam da afirmação e 12% são indiferentes em relação ao assunto.

 

Além disso, três em cada quatro mulheres (75%) afirmam que foram perguntadas em entrevistas de emprego sobre ter filhos e com quem deixariam as crianças para trabalhar. Entre os homens, a taxa é de 69%. O levantamento também mostra que 23% das entrevistadas acreditam que esse tipo de pergunta atrapalhou a entrevista, número que para os homens ficou em apenas 8%.

 

“A atuação feminina no mercado de trabalho tem sido limitada por construções sociais. Ser mulher significa estar exposta a ser questionada sobre assuntos não relacionados à sua competência profissional – como com quem ficarão os filhos –, desde o momento da entrevista até ao alcançar uma posição de liderança. Por isso, nesse estudo tentamos entender a percepção do público quanto a essas importantes temáticas que sempre precisam ser revisitadas em prol da mudança”, diz Sabrina Balhes, líder de Measurement da Nielsen Brasil.

 

TAREFAS DOMÉSTICAS

As mulheres ainda estão muito mais envolvidas com atividades domésticas do que os homens. Enquanto 22% das entrevistadas responderam que cuidar da casa é sua principal atividade durante o dia, entre os homens o índice é de apenas 2%. Os afazeres em casa ficam atrás apenas do trabalho (50%) entre as mulheres.

 

O levantamento fornece também um recorte étnico-racial sobre o assunto. Segundo os dados, quando perguntadas sobre tarefas diárias, pessoas pretas e pardas são as principais desempregadas e pessoas brancas as principais aposentadas. Os números revelam que 25% dos respondentes que se declararam pretos/pardos não possuem emprego, enquanto esse número entre os brancos é de 7%. Em relação aos aposentados, 9% dos brancos se encontram nessa condição contra 8% de pretos/pardos.

 

HOMENS ACREDITAM NA IGUALDADE DE GÊNERO

Para 68% do público masculino entrevistado, as mulheres são tão capazes quanto os homens em exercer as mesmas funções no trabalho. Em contraste, apenas 16% pensam o oposto, sendo principalmente na faixa etária acima de 55 anos. Quando perguntados sobre como se sentem em relação a mulheres em cargos mais altos ou de liderança, 58% disseram se sentir confortáveis e 13% declararam não se sentir à vontade.

 

 

Foto: Freepik/benzoix

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