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16/06/2021 - 18h14 Diversidade & Inclusão

A empregabilidade de profissionais LGBTQIA+ ainda demanda avanços no Brasil

Segundo especialista na área, muitas empresas lançam mão da Lavagem da Diversidade


 

Estimativas apontam que a população LGBTQIA+ no Brasil é composta por cerca de 20 milhões de pessoas, ou seja, 10% da população. Apesar da inclusão da diversidade estar ganhando espaço dentro das empresas, ainda há um vasto caminho a ser percorrido quando se fala de valorização. “Representar a mesma demografia de um país dentro do quadro funcional de empresas e instituições é o parâmetro mais próximo que podemos chegar de igualdade e justiça social, o que não ocorre nas empresas nacionais”, afirma Liliane Rocha, CEO e fundadora da consultoria Gestão Kairós.

 

A empresa aplicou um censo demográfico em empresas clientes e constatou que, na média da amostragem geral, cerca de 6% dos profissionais são lésbicas, gays e bissexuais e 0,4% são transgênero (travestis ou transexuais) no quadro geral das empresas; na liderança – nível de gerente e acima –, os números caem: 1,21% e 0,08% respectivamente.

 

Quando os respondentes foram perguntados se percebem na empresa a valorização da diversidade sexual, o indicador da média mostrou que 38% de profissionais autodeclarados lésbicas, gays, bissexuais e transgênero não percebem a valorização em relação ao próprio tema.

 

De acordo com Luís Eduardo Oliveira, analista de Diversidade e Comunicação da consultoria, nas interações com o mercado e nos estudos que a Gestão Kairós aplica junto aos seus clientes, é comum encontrar profissionais que se autodeclaram gays, lésbicas, bissexuais ou transgênero durante os diálogos individuais. “Isso mostra como as pessoas do mundo corporativo, em particular as pessoas LGBTQIA+, anseiam por um mínimo de abertura ou oportunidade para conseguirem enfim externalizar essa parte tão fundamental sobre si mesmas, e muitas vezes essa abertura vem da Consultoria”, assinala

.

No que se refere às empresas, Liliane acredita que a falta de conhecimento sobre diversidade sexual também é um dos principais entraves para o avanço dessa inclusão. Para ela, as pessoas não compreendem as diferenças entre o sexo biológico do nascimento, a expressão, a orientação sexual e a identidade de gênero. Por isso, em geral, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros seguem não sendo contratados ou, se estão sendo, não se sentem confortáveis em declarar a sua orientação sexual e identidade de gênero.

 

“Muitas empresas têm lançado mão de práticas de Lavagem da Diversidade* para ganhar a simpatia do mercado e conquistar consumidores para suas ‘iniciativas’, mas da porta para dentro pouco fazem realmente para incluir ou valorizar os profissionais dos grupos de diversidade. Esse é um trabalho que exige planejamento de médio e longo prazo e tem que ser contínuo, não basta só trabalhar em datas comemorativas, a valorização da Diversidade tem que estar na estratégia de negócios das empresas, só assim vamos avançar efetivamente”, finaliza.

 

*Expressão criada por ela para definir quando uma empresa se apropria de atributos da diversidade, se posicionando para o público geral como uma organização que se importa e valoriza a diversidade, sem que efetivamente atue onde é mais crucial: sua própria cultura organizacional.

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