Estamos falando menos e isso não é bom para as empresas
O desaparecimento das microconversas pode estar enfraquecendo o ambiente de trabalho
Um estudo publicado na Perspectives on Psychological Science, revista científica internacional de Psicologia, mostrou que, hoje, uma pessoa comum fala cerca de 30% menos do que em 2007 – passamos de 15.959 palavras por dia para 12.792. Essa redução é atribuída à troca de inúmeras interações presenciais por aplicativos, autoatendimento e comunicação digital. Para as empresas, o problema não está apenas na quantidade de palavras, mas na diminuição dos espaços de conversa que sustentam confiança, escuta, colaboração e pertencimento. “Estamos observando uma redução das relações de fala. Quando isso acontece, as conexões sofrem impacto. E uma liderança sem conexão perde capacidade de gerar empatia, alinhamento e coesão dentro das equipes", afirma a fonoaudióloga Juliana Algodoal, especialista em comunicação corporativa e linguagem no trabalho.
Segundo ela, a redução nas conversas favorece o aumento das dificuldades de coesão dentro de uma equipe. O tema ganha relevância em um momento em que muitas empresas discutem produtividade, trabalho híbrido, engajamento e saúde mental.
Com isso, um ponto de atenção deve ser a volta das chamadas microconversas, como trocas rápidas de corredor, café ou intervalo que historicamente ajudaram a construir vínculos de confiança entre colegas de trabalho e seus líderes. "Quando as pessoas deixam de viver essas pequenas interações, perdem repertório social, vocabulário e capacidade de lidar com diferentes perfis. O impacto aparece depois na colaboração, no pertencimento e na qualidade das relações de trabalho", afirma.
Nesse sentido, a próxima competência crítica das lideranças não será apenas comunicar melhor, mas também recriar ambientes onde as conversas espontâneas voltem a acontecer. Na visão de Juliana, para criar conexão a liderança precisa reservar espaço para a escuta, para as trocas espontâneas e para as conversas que não surgem apenas quando há uma demanda urgente.
Na prática, as organizações devem voltar a valorizar momentos de interação que durante anos foram vistos como improdutivos, mas que, agora, podem se tornar estratégicos para fortalecer cultura, engajamento e colaboração. "Estamos economizando minutos de conversa, mas podemos estar perdendo algo muito mais valioso, que é a capacidade de construir relações. Comunicação não é apenas uma ferramenta de gestão. É o que sustenta confiança, alinhamento e pertencimento dentro dos times", conclui.
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