Sua empresa precisa mesmo abrir uma nova vaga?
Maíra Campos: trabalho temporário avança em posições seniores e ganha papel estratégico em desafios específicos
Por Maíra Campos*
Quando surge uma nova demanda, a resposta mais óbvia é abrir uma vaga. Mas será que toda necessidade de uma empresa exige um profissional permanente? Essa pergunta ajuda a explicar uma transformação importante no mercado de trabalho. Na Michael Page Brasil, a área de temporários e terceiros cresceu 900% nos últimos dez anos. Tornou-se dez vezes maior em uma década, um avanço grande demais para ser explicado apenas por licenças, sazonalidade ou momentos de instabilidade. O que mudou foi a própria lógica de contratação.
Cada vez mais, empresas começam a discussão não pela vaga, mas pelo problema que precisam resolver: qual competência é necessária, por quanto tempo e para qual objetivo?
Uma implementação de sistema pode exigir especialistas por alguns meses. Fusões e aquisições demandam conhecimentos específicos em determinadas etapas. A reforma tributária criou uma extensa agenda para áreas fiscais, contábeis e financeiras. Projetos comerciais e ciclos de orçamento também podem exigir competências que não serão necessárias na mesma intensidade permanentemente. É por isso que vemos crescer a procura por profissionais temporários inclusive em áreas como Finanças e Vendas & Marketing, e em posições mais seniores.
O temporário deixou de ser apenas um reforço operacional e passou a ser, em muitos casos, alguém contratado para resolver um desafio específico. Em 2026, essa discussão ganha ainda mais relevância. Diante de um ambiente econômico que exige cautela e de um ano eleitoral, empresas tendem a analisar com mais rigor compromissos de longo prazo. Mas atribuir o avanço desse mercado apenas à incerteza seria um erro. Dez anos de crescimento apontam para uma mudança estrutural.
Isso não significa substituir equipes permanentes por temporárias. Há conhecimentos que precisam ficar dentro da organização, preservar memória e garantir continuidade. Outros podem ser incorporados à medida que novos desafios aparecem. A pergunta, portanto, já não deveria ser apenas “precisamos contratar?”, mas “o que precisamos resolver?”. Quando essa resposta vem antes da vaga, flexibilidade deixa de ser uma solução emergencial e passa a ser estratégia.
*Maíra Campos é diretora executiva da Michael Page Brasil
Foto: Divulgação/Michael Page








