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18/06/2026 - 08h43 Artigos

O poder de construir times com os talentos certos nos lugares certos

A tendência de formar times homogêneos gera pontos cegos gigantescos, aponta especialista


Por Jorge Matos*

 

Se colocar a pessoa certa no lugar certo já é difícil, imagine construir um time inteiro com as pessoas certas nos lugares certos?

 

As pessoas tendem a se olhar no espelho ou a analisar os seus perfis comportamentais e ter o seguinte pensamento: "Eu sou o 'the best'". Normalmente, nessas situações, brinco dizendo: quanto mais the best um indivíduo se acha, mais de "the besta" ele é.

 

O the best não está na individualidade, mas no time. Nenhum indivíduo sozinho possui todas as competências necessárias. O comportamento humano funciona como um cobertor curto: se você cobre a cabeça, faltarão os pés, e vice-versa.

 

Essa provocação revela uma grande verdade no mundo corporativo. Durante muito tempo, o mercado buscou a fórmula mágica do "colaborador perfeito". A realidade, contudo, é que ele não existe isoladamente. Se você compreende a natureza comportamental das pessoas, sabe bem que o verdadeiro segredo das equipes de alta performance está na capacidade de construir um mosaico de competências que se complementam e se alavancam, fazendo com que a soma do todo seja muito maior do que a simples soma das partes.

 

A ARMADILHA DA HOMOGENEIDADE

Infelizmente, temos a tendência natural de contratar pessoas parecidas conosco ou que operam no mesmo ritmo que o nosso, ou até de romantizar a respeito de um perfil perfeito. Mas pare para pensar: uma equipe formada apenas por perfis altamente dominantes e competitivos vira um campo de batalha, não um time. Por outro lado, um grupo composto exclusivamente por pessoas analíticas e cautelosas pode planejar de forma brilhante, mas pecar gravemente na velocidade de execução.

 

A homogeneidade gera pontos cegos gigantescos. A diversidade de perfis comportamentais é o oxigênio que traz o equilíbrio necessário para a excelência organizacional.

 

Para que essa sinergia aconteça, a liderança precisa aprender a orquestrar as quatro grandes naturezas comportamentais do ecossistema do trabalho, integrando-as às competências técnicas:

► Resultados e Atitude (D): Profissionais focados em metas, diretos e que empurram o time para a frente, assumindo riscos.

► Relacionamento e Conexão (I): Perfis comunicativos e entusiastas, fundamentais para engajar a equipe, vender ideias e manter o clima leve.

► Colaboração e Suporte (S): Pessoas planejadoras, pacientes e organizadas, que funcionam como âncora de estabilidade e processos do setor.

► Qualidade e Precisão (C): Os analistas detalhistas e lógicos, que blindam a operação contra erros e garantem a conformidade técnica.

 

Alta performance não é sobre ter os melhores indivíduos isolados, mas sobre arquitetar a melhor combinação entre eles.

 

Para aplicar esse aprendizado na prática siga pelo menos esses três passos:

► Contrate a partir das necessidades de cada cargo: Em vez de buscar alguém igual a você, pergunte-se: "Qual comportamento este cargo exige, dentro do contexto atual do time?"

► Mapeie o DNA do time: Utilize a metodologia de mapeamento comportamental para entender onde estão as forças e os gaps da sua engrenagem atual.

► Lidere de forma comportamental: Perfis diferentes exigem estímulos diferentes. O feedback que acelera um perfil focado em resultados pode paralisar um perfil que preza pela estabilidade.

 

Garantir uma equipe de alta performance exige desapegar do ego e abraçar a complementaridade e a alavancagem no aprendizado do comportamento humano. Quando respeitamos a ecologia humana e aplicamos a inteligência de dados na gestão de pessoas, transformamos a ilusão do indivíduo "the best" na realidade de uma equipe verdadeiramente imbatível.

 

*Jorge Matos é CEO da Etalent

 

 

Foto: Divulgação/Etalent

 

 

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