O poder de construir times com os talentos certos nos lugares certos
A tendência de formar times homogêneos gera pontos cegos gigantescos, aponta especialista
Se colocar a pessoa certa no lugar certo já é difícil, imagine construir um time inteiro com as pessoas certas nos lugares certos?
As pessoas tendem a se olhar no espelho ou a analisar os seus perfis comportamentais e ter o seguinte pensamento: "Eu sou o 'the best'". Normalmente, nessas situações, brinco dizendo: quanto mais the best um indivíduo se acha, mais de "the besta" ele é.
O the best não está na individualidade, mas no time. Nenhum indivíduo sozinho possui todas as competências necessárias. O comportamento humano funciona como um cobertor curto: se você cobre a cabeça, faltarão os pés, e vice-versa.
Essa provocação revela uma grande verdade no mundo corporativo. Durante muito tempo, o mercado buscou a fórmula mágica do "colaborador perfeito". A realidade, contudo, é que ele não existe isoladamente. Se você compreende a natureza comportamental das pessoas, sabe bem que o verdadeiro segredo das equipes de alta performance está na capacidade de construir um mosaico de competências que se complementam e se alavancam, fazendo com que a soma do todo seja muito maior do que a simples soma das partes.
A ARMADILHA DA HOMOGENEIDADE
Infelizmente, temos a tendência natural de contratar pessoas parecidas conosco ou que operam no mesmo ritmo que o nosso, ou até de romantizar a respeito de um perfil perfeito. Mas pare para pensar: uma equipe formada apenas por perfis altamente dominantes e competitivos vira um campo de batalha, não um time. Por outro lado, um grupo composto exclusivamente por pessoas analíticas e cautelosas pode planejar de forma brilhante, mas pecar gravemente na velocidade de execução.
A homogeneidade gera pontos cegos gigantescos. A diversidade de perfis comportamentais é o oxigênio que traz o equilíbrio necessário para a excelência organizacional.
Para que essa sinergia aconteça, a liderança precisa aprender a orquestrar as quatro grandes naturezas comportamentais do ecossistema do trabalho, integrando-as às competências técnicas:
► Resultados e Atitude (D): Profissionais focados em metas, diretos e que empurram o time para a frente, assumindo riscos.
► Relacionamento e Conexão (I): Perfis comunicativos e entusiastas, fundamentais para engajar a equipe, vender ideias e manter o clima leve.
► Colaboração e Suporte (S): Pessoas planejadoras, pacientes e organizadas, que funcionam como âncora de estabilidade e processos do setor.
► Qualidade e Precisão (C): Os analistas detalhistas e lógicos, que blindam a operação contra erros e garantem a conformidade técnica.
Alta performance não é sobre ter os melhores indivíduos isolados, mas sobre arquitetar a melhor combinação entre eles.
Para aplicar esse aprendizado na prática siga pelo menos esses três passos:
► Contrate a partir das necessidades de cada cargo: Em vez de buscar alguém igual a você, pergunte-se: "Qual comportamento este cargo exige, dentro do contexto atual do time?"
► Mapeie o DNA do time: Utilize a metodologia de mapeamento comportamental para entender onde estão as forças e os gaps da sua engrenagem atual.
► Lidere de forma comportamental: Perfis diferentes exigem estímulos diferentes. O feedback que acelera um perfil focado em resultados pode paralisar um perfil que preza pela estabilidade.
Garantir uma equipe de alta performance exige desapegar do ego e abraçar a complementaridade e a alavancagem no aprendizado do comportamento humano. Quando respeitamos a ecologia humana e aplicamos a inteligência de dados na gestão de pessoas, transformamos a ilusão do indivíduo "the best" na realidade de uma equipe verdadeiramente imbatível.
*Jorge Matos é CEO da Etalent
Foto: Divulgação/Etalent








