Liderar sem ser dominado pelo ego
O ego se torna um problema quando o sucesso e o poder trazem a sensação de invulnerabilidade
Por Carlos Legal*
Liderar é uma arte que exige autoconhecimento, equilíbrio e sensibilidade. Ao longo da minha trajetória profissional, já me deparei com líderes brilhantes em técnica e resultados, mas profundamente vulneráveis em suas relações humanas pois sucumbiam a um inimigo muito próximo. O próprio ego.
O ego não é de todo ruim, ele tem sua própria função. Mas quando ele assume o controle, confunde autoconfiança com superioridade. A autoconfiança é saudável e necessária, entretanto, se deixa de ser percebida como respeito pelos outros e passa a ser interpretada como arrogância, ela cria pontos cegos perigosos na liderança.
O que acontece quando o ego assume o comando
O ego se torna um problema quando o sucesso e o poder trazem uma sensação de invulnerabilidade. Se isso ocorre, a pessoa perde a conexão com a realidade e com o impacto de suas atitudes no ambiente à sua volta. Quanto mais inflado está o ego, mais frágil é a pessoa que aparenta ser forte, pois se torna suscetível às críticas e menos capaz de escutar, de se autoavaliar e de ajustar seu comportamento.
O ego tem sua função: ajuda a formar nossa identidade e nossa capacidade de atuar com segurança. Mas se ele se impõe como comandante, em vez de ser uma ferramenta a serviço de quem lidera, impede a verdadeira liderança, que começa com humildade e respeito pelos outros.
Humildade como princípio de liderança
Ser humilde não é negar o valor das próprias conquistas, mas reconhecer que nossos limites e imperfeições são parte da vida e do aprendizado. Para mim, humildade é a virtude que transforma o ego de um obstáculo em um aliado.
Quando reconhecemos que somos falíveis e buscamos melhorar continuamente, praticamos a humildade. Isso se reflete em atitudes simples, mas poderosas: escolher as palavras com cuidado, ouvir com atenção, oferecer feedback construtivo e demonstrar apreço sincero pelos outros. Esses comportamentos fortalecem a confiança mútua no ambiente de trabalho e humanizam as relações.
Liderar com respeito e responsabilidade
Muitos profissionais se preocupam apenas com “o que” precisa ser feito, mas esquecem o “como”. Para mim, liderar com excelência exige harmonizar decisões difíceis com uma postura que preserve a dignidade das pessoas envolvidas. É possível cobrar resultados, dar limites e tomar decisões impopulares sem ferir ou humilhar quem está ao nosso redor.
Decidir adotar esse caminho exige coragem de olhar para si mesmo com honestidade e de ajustar comportamentos que, embora muitas vezes inconscientes, geram impacto profundo na cultura de uma organização.
O legado de uma liderança verdadeira
O legado de um líder não é medido apenas pelos resultados que alcançou, mas pela forma como contribuiu para o desenvolvimento das pessoas e das equipes ao seu redor. Uma liderança que busca a excelência humana tanto quanto os resultados concretos constrói organizações mais resilientes, saudáveis e inspiradoras.
Nunca devemos perder de vista que liderar é servir primeiro, é escutar mais do que falar e é escolher, todos os dias, agir com equilíbrio e respeito.
Carlos Legal atua na área de Treinamento e Desenvolvimento, com projetos de mentoria, educação executiva e corporativa e é autor do livro Competências atemporais: 35 lições para o desenvolvimento pessoal e profissional (Editora Senac São Paulo)
Foto: Jeisy Mendes








