Imagem da matéria Feedforward - Por que líderes estratégicos estão deixando o feedback para trás
05/02/2026 - 15h06 Artigos

Feedforward - Por que líderes estratégicos estão deixando o feedback para trás

Os tempos mudaram e exigem abordagens mais maduras, focadas no futuro, afirma especialista


Por Bárbara Nogueira*

 

 

Durante décadas, o feedback foi tratado como a principal ferramenta de desenvolvimento dentro das organizações. Avaliar o que deu certo, corrigir erros e apontar falhas fazia parte do ritual de liderança, muitas vezes anual, formal e, não raro, desconfortável. Mas o mundo do trabalho mudou. E a forma de desenvolver pessoas também, quem não se atentou a isso até agora, está sendo literalmente substituído. O mercado de trabalho não suporta mais líderes que não tem como base o desenvolvimento de pessoas.

 

Em um cenário de alta velocidade, pressão por resultados e transformação constante, cresce entre líderes mais maduros uma abordagem que desloca o foco do passado para o futuro: o feedforward. Popularizado por Marshall Goldsmith, o feedforward propõe algo simples, porém poderoso: em vez de gastar energia analisando o que já aconteceu, o líder oferece sugestões práticas e construtivas sobre o que pode ser feito daqui para frente.

 

O feedback, quando mal conduzido, tende a ativar defensividade, culpa ou resistência. Ao revisitar erros passados, o profissional pode se sentir julgado e não necessariamente mobilizado para mudar. Além disso, corrigir o que já passou não garante, por si só, melhores escolhas futuras. Em ambientes emocionalmente inseguros, o feedback vira obrigação, não ferramenta de crescimento.

 

O feedforward ganha força porque parte de uma lógica diferente da abordagem tradicional de desenvolvimento. Em vez de se concentrar no que já aconteceu, ele direciona a conversa para soluções práticas e aplicáveis, com foco no futuro. Ao oferecer orientações claras sobre como evoluir, o feedforward estimula a mentalidade de crescimento, promove o aprendizado contínuo e aumenta o engajamento, tornando-se uma ferramenta cada vez mais estratégica para líderes que buscam desenvolver pessoas de forma sustentável. Ao invés de “onde você errou”, a conversa passa a ser:

“O que você pode fazer diferente daqui pra frente para ter mais impacto?” Isso muda tudo.

 

A abordagem estimula autonomia, aprendizado e engajamento. Tira o peso do erro e coloca energia na ação. É especialmente eficaz no desenvolvimento de soft skills, como comunicação, liderança, tomada de decisão e inteligência emocional, competências críticas para os líderes do futuro.

 

Líderes que desejam formar times mais maduros, responsáveis e protagonistas precisarão ir além da cultura de correção. O feedforward se conecta diretamente a ambientes mais seguros, colaborativos e orientados a resultado. Isso não significa abandonar o feedback, mas ressignificá-lo. O passado pode gerar aprendizado; o futuro gera movimento.

 

A pergunta que fica é: se o objetivo é desenvolver pessoas para desafios que ainda não existem, faz sentido continuar liderando olhando apenas pelo retrovisor?

 

 

*Bárbara Nogueira é diretora, career advisor & headhunter da Prime Talent

 

 

 

Foto: Vinny Andrade

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