Imagem da matéria Quando o silêncio provoca ruídos difíceis de ignorar
15/01/2026 - 19h06 Artigos

Quando o silêncio provoca ruídos difíceis de ignorar

Por que jovens entusiasmados no processo seletivo perdem o vigor depois de contratados


Por Rodrigo Vianna*

 

Confesso que uma inquietação vinha me acompanhado nos últimos tempos: a percepção de que alguns jovens profissionais, ao entrarem no mercado, deixavam para trás parte da curiosidade e da ousadia para questionar. Algo que eu notava em algumas reuniões ou eventos. E admito que essa sensação me gerava certa preocupação.

 

No entanto, uma experiência recente me forçou a reavaliar essa impressão. Foi quando, em uma dinâmica de grupo de um cliente da Mappit, me vi diante de candidatos extremamente ativos, engajados e colaborativos. Presenciei jovens debatendo ideias com entusiasmo, escutando o outro com respeito, construindo soluções em conjunto. A energia na sala era palpável e a qualidade da interação, notável.

 

Essa experiência me trouxe uma nova perspectiva: e se a questão central não for a ausência de curiosidade, mas sim a falta de um ambiente que a incentive? E se a estrutura, por vezes rígida, de muitas empresas, somada ao natural receio de errar no início da carreira, estiver inibindo um potencial que esses jovens claramente possuem? Considerei que o cenário exige uma análise mais profunda.

 

Dentro dessa reflexão, um dado chamou a minha atenção: um estudo da Hult International Business School aponta que 37% dos gestores preferem investir em inteligência artificial a contratar talentos em início de carreira. A razão, segundo a pesquisa, não é um preconceito com a idade, mas sim a lacuna que enxergam entre as exigências do mercado e a formação oferecida pelas universidades. Os próprios jovens sentem isso: 55% deles acreditam que a faculdade não os preparou adequadamente para os desafios do mundo corporativo.

 

Trouxe esses dados porque a experiência naquela dinâmica não anulou minha preocupação inicial, mas a direcionou. A lacuna de habilidades é uma realidade, mas acredito que o potencial para superá-la é ainda maior. O desafio, no meu entender, é compartilhado. Cabe aos jovens profissionais a busca ativa pelo desenvolvimento de suas competências. Nós, líderes, temos a responsabilidade de fomentar ambientes de trabalho que incentivem a curiosidade, o diálogo e o questionamento.

 

Como gestores, buscamos profissionais que vão além da execução de tarefas. Queremos talentos que contribuam ativamente para a inovação e o crescimento do negócio. Nesse contexto, três competências se mostram fundamentais: comunicação, curiosidade e pensamento crítico. Longe de serem apenas termos da moda em processos seletivos, essas habilidades são, na prática, decisivas para a construção de uma carreira de sucesso.

 

Não há dúvidas de que habilidades comportamentais são fundamentais. Peter Drucker, aliás, costumava dizer que "as pessoas são contratadas por suas habilidades técnicas e demitidas por seu comportamento". Essa frase segue verdadeira e eu faço um convite para pensarmos mais profundamente também sobre ela.

 

Se você é profissional, desenvolva e aprimore as soft skills necessárias para os seus projetos profissionais. Lembrando que, atualmente, elas são observadas antes mesmo da primeira entrevista. Caso você seja empregador, ofereça estímulos corretos, no recrutamento ou no dia a dia, para que potenciais possam florescer. Assim, todos ganham.

 

* Rodrigo Vianna é CEO da Mappit e cofundador do Talenses Group

 

 

Foto: Thiago Ribeiro

 

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