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22/08/2025 - 17h43 Artigos

Se perguntasse para sua equipe se confiam em você como líder, teria medo da resposta?

Quem titubeou na resposta precisa criar a disposição de se enxergar com mais verdade, diz George Gottheiner


 

 

Por George Gottheiner*

 

Muitos líderes se consideram acessíveis, confiáveis e presentes. Mas será que suas equipes concordam? Essa pergunta simples pode gerar desconforto, e justamente por isso ela importa. Porque a verdade é que presença não se resume a estar numa reunião, mandar uma mensagem rápida ou tomar decisões técnicas com agilidade. Presença, escuta e coerência emocional são fundamentos que sustentam a liderança real, e o time sente quando eles faltam, mesmo que ninguém diga nada.

 

Segundo um estudo da Harvard Business Publishing, 70% dos profissionais de Recursos Humanos acreditam que os executivos do futuro precisarão dominar um conjunto mais amplo de comportamentos para enfrentar os desafios atuais. E isso não tem a ver com técnica, nem com domínio de ferramentas. Tem a ver com a forma como o gestor se coloca diante das pessoas. Essa habilidade pode ser desenvolvida, mas exige disposição para se enxergar com mais verdade.

 

No cotidiano, a ausência de presença aparece nos detalhes. Um gestor que escuta sem olhar nos olhos. Uma resposta atravessada no meio de uma reunião. Um feedback dado no piloto automático. Tudo isso é percebido, mesmo que não seja dito e é assim que surgem os ruídos invisíveis. Equipes que não confiam, que evitam trazer problemas, que executam sem engajar. O líder acredita que está tudo bem, mas o time, no fundo, só está se protegendo.

 

A autoridade formal não resolve quando a energia do gestor desconecta

Cada vez mais empresas têm percebido que o desempenho das equipes está diretamente ligado à qualidade da escuta, da presença e da coerência emocional das lideranças. Por isso, o foco dos treinamentos vem mudando. Já não basta repetir metodologias em sala de aula. As organizações começaram a investir em experiências que provocam o gestor a se perceber com mais profundidade e a reconhecer o impacto que gera nas relações, mesmo quando está em silêncio.

 

Essas mudanças refletem uma busca por uma liderança mais genuína, menos centrada no cargo e mais orientada pela clareza nas interações. Isso envolve reconhecer padrões de comportamento que enfraquecem o vínculo com a equipe e desenvolver habilidades que antes eram consideradas subjetivas, mas hoje são tratadas como indispensáveis. A forma como o gestor chega em uma reunião, escuta uma sugestão, dá um retorno ou sustenta uma pausa afeta diretamente a segurança emocional do grupo.

 

O líder que não se escuta transmite tensão. O líder que não percebe o outro cria barreiras. E o líder que só está presente no corpo, mas ausente na atenção, enfraquece a própria autoridade sem perceber.

 

Um bom gestor escuta com o corpo, percebe o ambiente, ajusta a comunicação, sustenta o olhar e acolhe os silêncios. Não precisa ter todas as respostas, mas está inteiro no processo. Já quem opera no automático transmite ruído. A equipe pode até continuar entregando, mas entrega menos. E confia menos.

 

Presença não se improvisa. Escuta não se terceiriza. Coerência emocional não nasce com o crachá. Tudo isso se constrói com prática, com humildade e com coragem para se perceber antes de querer liderar o outro. Se você realmente perguntasse para sua equipe se confiam em você, teria medo da resposta? Porque mesmo que você não pergunte, ela já foi dada, no comportamento de cada pessoa ao seu redor.

 

*George Gottheiner é cofundador do Centro de Treinamento Executivo Bosque Belo

 

 

Foto: Giulianne Martins

 

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