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08/04/2025 - 11h00 Artigos

Felicidade no trabalho: do romantismo organizacional ao acidente de trabalho

A NR1 obriga as empresas a deixarem de ver felicidade como um diferencial, diz Sandra Teschner


Por Sandra Teschner*

 

Se pelo amor não bastava, talvez agora seja pela dor.

 

A felicidade no trabalho — antes vista como um tema "fofo" de RH, um luxo conceitual ou um brinde institucional — entrou oficialmente na categoria de risco ocupacional. E quando falamos em risco, falamos em lei, multas, INSS e acidentes de trabalho.

 

A mais recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em agosto de 2024, tornou obrigatória a inclusão da avaliação de riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das organizações. Essa mudança reconhece oficialmente que estresse, assédio, sobrecarga mental e emocional são riscos ocupacionais — e devem ser gerenciados com o mesmo rigor que riscos físicos ou químicos.

 

A partir de 26 de maio, todas as empresas brasileiras deverão identificar e mitigar esses fatores. A negligência terá consequências sérias, como:

 

► aumento da alíquota do Seguro de Acidente de Trabalho (SAT);

 

► multas substanciais;

 

► ações judiciais;

 

► e impactos diretos na reputação corporativa — especialmente em um cenário onde a saúde mental está sob constante escrutínio público.

 

A principal mudança? Agora há base legal. A Previdência Social não quer mais arcar sozinha com os custos gerados por más condições emocionais no ambiente de trabalho.

 

O que antes era tratado como um diferencial ético ou uma estratégia de engajamento, agora entra na categoria de compliance obrigatório. E ainda há muitas perguntas no ar:

 

Quem audita? Como será feita essa fiscalização? Quais indicadores serão exigidos?

 

Fato é: o passivo já está criado – e a prevenção virou salvação.

Mas será que as empresas só se movem quando sentem a ameaça?

 

Porque pela via do cuidado real, do engajamento genuíno, da liderança emocionalmente inteligente, os argumentos já existem há muito tempo:

 

A Universidade da Califórnia mostra que colaboradores felizes são, em média, 31% mais produtivos, 3 vezes mais criativos e vendem 37% mais.

 

► A Gallup revela que empresas com equipes engajadas registram 21% mais lucratividade e 41% menos absenteísmo.

 

► Arthur Brooks, professor de Harvard, comprova que líderes emocionalmente satisfeitos constroem culturas de alta performance e baixa rotatividade.

 

Ou seja, felicidade funciona. Não é só filosofia de vida. É gestão de risco, é estratégia, é resultado.

 

A curva da felicidade acompanha a curva do lucro sustentável. O estado de flow, como defendem Mihaly Csikszentmihalyi e Steven Kotler, eleva a performance a níveis de alto impacto.

 

Quem entendeu isso, já saiu na frente. Quem ainda acha que é "romântico demais para ser verdade"… melhor preparar o jurídico.

 

Felizmente, já existem caminhos práticos para alinhar cultura, gestão e compliance:

 

► ferramentas de mensuração como o modelo PERMA-V,

 

► plataformas de monitoramento de clima emocional,

 

► e normas internacionais como a NP 4590 (Portugal), que estruturam sistemas de gestão do bem-estar organizacional.

 

Não se trata de fazer mais. Mas de fazer o essencial com consistência.

 

Há décadas, atuo ao lado de empresas que decidiram agir pelas razões certas — inclusive para agradar aos acionistas. Porque felicidade organizacional não é romantismo. É inteligência corporativa. É sustentabilidade humana.

 



*Autora do livro Felicidade se Aprende, Sandra Teschner (www.sandrateschner.com.br) é consultora em saúde social e felicidade corporativa. Mestre em Psicologia Organizacional e especialista em Ciência da Felicidade e Liderança Positiva, fundou o Instituto de Happiness do Brasil. É CHO da primeira turma da Florida International University 

 

 

Foto: Divulgação

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