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04/12/2024 - 18h37 Artigos

Dezembro chegou

As reflexões de Marcelo Madarász sobre a complexidade humana, a empatia e o respeito ao próximo


 

 

Por Marcelo Madarász*

 

 

Ao longo de nossas vidas, escutamos muitas expressões, ditados populares e até letras de músicas que nos marcam, além dos pensamentos de pessoas célebres que também acabam sendo importantes para nós. Quando estudei um pouco mais sobre propósito de vida e a importância de descobri-lo, desvendá-lo ou torná-lo claro para nós mesmos, aprendi que na busca por uma definição de qual seria o propósito e quanto mais preciso ele fosse, tanto melhor, poderíamos usar também essas frases de impacto para delinearmos aquela que traduziria o tão procurado “propósito de vida”.

 

Se isso é verdade ou não (e acabamos descobrindo que, em pleno 2024, até o conceito de verdade e de mentira pode ser polemizado), o fato é que algumas frases para mim foram muito impactantes e até mesmo libertadoras. Quando conheci a frase de Nietzche –Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como –, resgatada por Viktor Frankl em seu livro que é uma verdadeira obra-prima – Em Busca de Sentido –, muitas reflexões que eu fazia a respeito da vida foram, de alguma maneira, respondidas ou pelo menos endereçadas pela potência dessa frase.

 

Anos mais tarde, assisti a uma peça de teatro que é uma adaptação de um livro do rabino Nilton Bonder, chamado A Alma Imoral, e nela ouvi: “Quantos de nossos esforços são oferendas ao nada?” Tive um momento de impacto avassalador e descobri uma verdadeira libertação decorrente dessa frase. Para mim, foi algo tão forte, que voltei a assistir à peça lindamente apresentada por Clarice Niskier (muitas vezes, 83 para ser mais preciso) e, por meio dessas reflexões, conheci o livro e o próprio Nilton Bonder. Essa obra traz um conjunto admirável de outras reflexões e frases que levarei comigo para sempre. Que cada um descubra quais são as frases que merecem ser colecionadas e utilizadas como verdadeira expressão de sabedoria.

 

Acredito muito nos mestres e no quanto aprendemos com eles. Ouvi do mestre Oscar Motomura que o ser humano é complexo e já repeti em inúmeras situações como uma tentativa de compreensão da nossa dinâmica. É uma verdade quase universal! Há muitos anos, quando eu era acompanhante terapêutico de pacientes com quadros mais graves, ao falar para uma paciente para ela não ficar triste, ouvi em resposta algo que nunca esquecerei: “nada entende de tristeza quem pede ao triste que se alegre”. Até hoje trago em minhas memórias o impacto que essa frase teve para mim, dita por uma paciente a quem eu buscava ajudar…

 

Juntando essas duas frases, a do Oscar e a da minha paciente, chegamos ao mês de dezembro. São muito curiosos os aspectos deste mês e dessa época do ano. Se por um lado as pessoas tendem a ficar mais caridosas, principalmente pelo fato de o espírito natalino deixá-las mais empáticas e generosas, colocando-se no lugar do outro e demonstrando solidariedade, muitas pessoas acabam tendo momentos de profunda tristeza, até mesmo depressão. Como o ser humano é complexo e gosta de nomear quase tudo, alguns autores criaram o termo “síndrome do fim do ano” ou “dezembrite”. Pesquisas mostram que o nível de estresse aumenta em média 75% em dezembro.

 

Trazendo essas reflexões para o nosso ambiente organizacional, percebemos a enorme importância do líder verdadeiramente exercer a gestão da proximidade e conhecer além de a si próprio no fundamental exercício do autoconhecimento, conhecer mais de seus liderados e pessoas com quem se convive, para tentar compreender o que cada um vive em determinado período e com isso redobrar atenção e cuidado.

 

Cada vez mais, a mim parece claro que nossa principal missão é a de salvaguardar a lucidez – a própria, a dos outros e a da organização. Em tempos de inteligência artificial, não percamos nunca a necessária valorização e cuidado com o ser humano. Em tempos de festas, fiquemos atentos aos aspectos subjetivos e ao cuidado de perceber que a festa pode não ser uma verdade para o outro, que enfrenta suas próprias feras e feridas internas e que pode mais que nunca precisar de um verdadeiro líder que mais uma vez poderá fazer a diferença na vida dessa pessoa.

 

Que em dezembro, e em todos os meses do ano, cada um de nós continue dando o seu melhor para a construção de um mundo melhor para todos!

 

 

*Marcelo Madarász é diretor de RH Latam da Parker Hannifin

 

 

Foto: Marcos Suguio

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