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06/11/2024 - 17h44 Artigos

Entre vulnerabilidade e propósito, o novo cenário da gestão de pessoas

São tempos de integração do propósito individual ao propósito corporativo, diz executiva de RH da Log-In


 

Por Andrea Simões*

 

A pergunta sobre o que está tirando o sono dos líderes é mais relevante do que nunca. Vivemos uma era de transições e complexidades, na qual o cenário empresarial está cada vez mais pressionado a se adaptar, inovar e, acima de tudo, sobreviver.

 

As preocupações que afetam CEOs, empreendedores, líderes e até os profissionais de RH vão muito além da rentabilidade e sustentabilidade dos negócios. Envolvem aspectos humanos, emocionais e sociais que definem a resiliência e o sucesso das organizações.

 

Sempre que reflito sobre isso, costumo dividir o mundo em antes e depois da pandemia. Esse evento catalisador fez o colaborador revisitar seus propósitos, valores e prioridades. A relação de trabalho tornou-se algo muito mais complexo, porque a vida, de repente, ficou efêmera. Para muitos, essa efemeridade levou a questionamentos sobre o que realmente importa e como o trabalho se encaixa no sentido de vida. Isso resultou em um desafio estratégico para as empresas: como reter pessoas que agora olham para o trabalho com novos olhos?

 

Hoje, não falamos mais de contratos transacionais, aqueles velhos contratos baseados apenas em uma troca clara de tempo por dinheiro. Estamos vivendo a integração do propósito individual ao propósito corporativo, adicionando a esse cenário o "contrato psicológico" — o quão seguro o colaborador se sente naquele ambiente.

 

Isso redefine o papel da liderança e do RH, que precisam agora criar ambientes não apenas produtivos, mas também seguros e acolhedores.

 

Outro ponto que traz complexidade é a saúde mental. Antigamente, saúde era um tema restrito ao setor ocupacional, focado em prevenir acidentes. Hoje, estamos ampliando a discussão para abarcar a saúde mental, a segurança psicológica e o bem-estar integral dos colaboradores. E não tem volta — não há como desconsiderar a integralidade dos seres humanos e o quanto isso impacta suas performances no trabalho.

 

Vimos uma transformação na liderança. Antes, vulnerabilidade não fazia parte do vocabulário dos líderes; era algo guardado para casa. Hoje, se queremos ambientes de trabalho verdadeiramente seguros, precisamos falar sobre vulnerabilidades, ansiedades e fragilidades.

 

Criar um ambiente onde essas questões possam ser abordadas é essencial para que as pessoas se sintam respeitadas e aceitas como são, com todas as suas complexidades e diversidades.

 

Vale ainda ressaltar, voltando na questão da famosa pandemia, que ela também trouxe desafios tecnológicos que geraram inseguranças: como lidar com tecnologias emergentes e como evitar que a automação substitua o papel humano? Ao mesmo tempo que houve uma aceleração forçada da digitalização — como o exemplo da implementação de telemedicina em tempos recorde — muitas empresas ainda enfrentam barreiras para adotar plenamente inovações digitais. Em um cenário de incertezas, a habilidade de integrar novas tecnologias ao cotidiano dos negócios é fundamental para o crescimento e a sustentabilidade.

 

No entanto, isso cria um paradoxo: ao mesmo tempo que é preciso inovar, muitas empresas ainda têm um "pé no freio", receosas quanto ao impacto da automação e do digital em seus quadros de funcionários e na cultura organizacional.

 

Mas, e para a liderança? O que isso significa?

 

Liderar nesse cenário não é fácil. Além de buscar resultados, manter a sustentabilidade e garantir a retenção dos colaboradores, a liderança precisa entender a sua responsabilidade na promoção da saúde mental e no acolhimento de um ambiente seguro. Esse é um dos maiores desafios: como cuidar de uma equipe, sendo ao mesmo tempo um líder vulnerável, aberto e humano?

 

Não podemos mais tratar as gerações que estão no mercado de trabalho como rótulos pré-definidos, mas sim buscar entender as necessidades de cada pessoa individualmente. Precisamos de planos que, em vez de dividir, busquem convergências, valorizem a diversidade e respeitem a complexidade do ser humano. Assim, conseguimos não só lidar com as diferentes gerações que coexistem nas empresas, mas também encontrar pontos de encontro que não eram explorados antes.

 

É claro que já avançamos em muitos pontos. Estamos mais abertos a discutir saúde mental, a adotar novas tecnologias e a construir ambientes de trabalho mais flexíveis e acolhedores. No entanto, ainda existem muitos desafios pela frente.

 

Muitas empresas ainda não internalizaram a importância da segurança psicológica ou da inclusão genuína, tratando-as como algo secundário ou opcional. Além disso, a adaptação tecnológica é um processo ainda lento e, muitas vezes, visto com receio.

 

O que podemos concluir disso tudo? Estamos em um momento em que precisamos revisitar o que já sabemos e adaptar a uma nova realidade. O que antes parecia ser suficiente para liderar e gerenciar equipes hoje se mostra insuficiente. A vulnerabilidade, a segurança psicológica, a integração entre tecnologia e humanidade são temas que vieram para ficar. Precisamos de líderes prontos para se adaptar, para aprender continuamente e para abraçar a complexidade de seus times e de suas realidades.

 

É um desafio imenso, mas acredito que a maneira como enfrentamos isso define o futuro das nossas organizações. A resposta está em como conseguimos alinhar o desenvolvimento humano ao avanço tecnológico, sempre ancorados em valores e ética. Essa é a chave para garantir não só a sustentabilidade dos negócios, mas a construção de um futuro do trabalho que seja mais humano e justo para todos.

 

 

*Andrea Simões é diretora de Gente, Cultura e Transformação Digital da Log-In Logística Intermodal

 

 

Foto: Divulgação/Log-In

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