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04/11/2024 - 17h10 Artigos

A árvore muda o fruto; o fruto não muda a árvore

Temos que aprender e ensinar num ciclo constante de busca por uma melhor convivência, diz João Consorte


 

Por João Consorte*

 

Durante um determinado momento em uma festa, me chamou atenção a divisão de alguns grupos e como se comportavam entre as diferenças geracionais de todos ali. Foi interessante observar em meio aquele som dançante, jovens imersos apenas na conversa entre eles e pessoas mais velhas se esbaldando como se estivessem nos seus 20 e poucos anos. Não se trata aqui de nenhuma crise nostálgica ou daquela velha história: “Ah… no meu tempo… ah… quando era jovem”. Mas lembrei disso enquanto refletia sobre os conflitos geracionais, tema que virou recorrente no mundo corporativo.

 

Algumas das discussões sobre a chamada geração Z, por exemplo, têm girado em torno do quanto são diferentes das gerações anteriores. A eles são atribuídas questões complexas, como a ausência de comprometimento com o trabalho, o desinteresse por seguir carreira em apenas uma empresa, o chamado quiet quitting ou demissão silenciosa, comportamento que, em geral, se resume a que cumpram apenas o mínimo exigido no trabalho, entre tantas outras.

 

Mas como a minha observação sobre aqueles jovens da festa, tão diferentes do “meu tempo”, eu percebo que essas críticas são cíclicas. Às vezes mais brandas, às vezes mais ácidas, mas vão sempre existir, uma vez que são diferenças geracionais.  

 

É certo, é errado, é melhor, é pior? Qual o comportamento ideal? Temos de fazê-los agir como agíamos antigamente, forçá-los a serem como nós fomos ou nos aproximarmos mais de quem eles são? Ou talvez não seja uma coisa nem outra. Lembro aqui da minha filha que faz parte dessa geração. Ela adora usar uma rede que eu não tenho a menor afinidade. Devo proibi-la por isso? Não é da minha natureza. Provavelmente jamais vou impedi-la de usar essa rede e ver seus videozinhos, mas todas as vezes que eu puder proporcioná-la um momento em que a vida dela não seja limitada a uma tela eu vou fazer.

 

Amplificando a questão para o mundo corporativo, talvez não seja o caso de tentarmos “forçar”, nem mesmo querer que essa geração seja diferente do que é. Não querem abrir câmera em reuniões online, não querem mais trabalho 100% presencial, não querem ser pressionados… O que querem? O que queremos? Como conduzir isso dentro de um limite que não torne a situação insuportável dentro das diferenças que temos?

 

Talvez não seja uma questão nem um lado nem o outro. Talvez seja um terceiro caminho que ainda vai surgir e que provavelmente nem temos ideia. O importante, a meu ver, é encararmos o que está posto sem medo (ou com medo mesmo). O encontro e a divergência entre gerações têm nuances muito sutis e temos de ter atenção com isso, aprender e ensinar num ciclo constante de busca por uma melhor convivência.

 

Como gestores, precisamos, todos os dias e a todo momento, trazer essas questões para as nossas falas, discussões, relações, considerando sempre os dois lados. Não adianta falarmos sobre as diferenças de uma geração sem ouvirmos essa geração, sem olharmos no espelho e vermos que fomos nós que a criamos, nos que a ajudamos a se desenvolver. E, como líderes, é nossa responsabilidade, nosso papel entender e buscar soluções para que eles cresçam e se desenvolvam da melhor forma possível, lembrando sempre que a árvore muda o fruto; o fruto não muda a árvore.

 

*João Consorte é presidente do IPG Health no Brasil

 

 

Foto: Alê Oliveira

 

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