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16/04/2024 - 16h38 Artigos

Inquietações

Nosso colunista Marcelo Madarász trata da busca por sobrevivência e sentido na nossa jornada no cenário atual


 

 

 

Por Marcelo Madarász*

 

 

Estamos definitivamente atravessando um período bastante desafiador em várias perspectivas. Muitas coisas que estamos vivendo hoje em nosso cotidiano, seja no ambiente organizacional ou fora dele, já existia antes da pandemia, mas muitas coisas acabaram se intensificando, outras ganharam proporções maiores, muitas acabaram sendo reveladas, descobertas, não como algo novo, mas como algo que já existia, estava coberto e de certa forma foi colocado a olhos nus.

 

Muitos que talvez estivessem tão ocupados, distraídos, anestesiados provavelmente não estavam prestando atenção no que acontecia ao seu redor ainda que fossem dores que vez ou outra se manifestavam com maior intensidade. Para ser mais específico, estou me referindo ao modelo de vida que temos e às regras do jogo organizacional que não foram criadas para amadores, crianças ou despreparados.

 

O ambiente de crescente pressão por resultados, a guerra entre o curto e o longo prazo, os indicadores pelos quais nos empenhamos diariamente, as exigências do ambiente competitivo das corporações, a avaliação de desempenho, o nine box, a posição na matriz, o reconhecimento e essa lista quase infinita que todos conhecemos. É preciso tomar muito cuidado para não nos colocarmos na posição de vítima do famoso triangulo do drama, que, quem não conhece, sugiro conhecer, explica boa parte das dinâmicas humanas e das relações, com os três papéis: vítima, perseguidor e salvador.

 

Vale a pena aprofundar o conhecimento desse modelo, como ferramenta que ajuda a compreender o que nos acontece e impacta e como fazer travessias evolutivas, algo fundamental, principalmente para os líderes.

 

Os fenômenos observados e estudados sobre o que está acontecendo no ambiente organizacional, principalmente no período pós-pandemia, faz acender uma luz amarela ou vermelha, dependendo de situações específicas. Pandemia, trabalho remoto, adaptação ao novo modelo, novas habilidades, medos, receios, angústias, modelo híbrido, volta ao presencial, absoluta incerteza e pânico gerado a partir dela e as pessoas tentando se equilibrar. Muitos não estão dando conta, muitos estão adoecendo, muitos desistindo verdadeiramente ou disfarçadamente e assim vão se perdendo de si e de seu propósito.

 

Sem ser profeta do apocalipse, pelo contrário, tentando compreender o cenário e buscar saídas para aquela que deveria ser a principal missão do RH, do líder e, em última instância, de todos, minha reflexão é que como não poderemos mudar as regras desse jogo, o que podemos fazer para sobreviver e, mais, enxergar sentido nessa jornada?

 

Penso que muitas das nossas angústias são traduzidas numa pergunta formulada pelo rabino Nilton Bonder, em seu livro A Alma Imoral, lindamente adaptada para o teatro por Clarice Niskier (em cartaz em São Paulo):  Haverá paz na consciência de nossa finitude?

 

Estamos falando da implacável passagem do tempo, do reconhecimento que ele nos atravessa e temos a sensação de que nos escapa, muitos sentindo que sua velocidade acelera. O que estamos fazendo com nosso maior tesouro que é o tempo e todas as possibilidades que temos todos os dias?

 

Se você entende que há dores no exercício de seu ofício, que você não está bem, os passos são: auto-observação e observação do entorno, autoconhecimento, reflexão profunda sobre seu propósito de vida e se você pode vivê-lo em seu trabalho, reflexão sobre seus valores, aquilo que deveria nortear sua vida e os valores da organização – há alinhamento? Você se sente “encaixado”? O que você está fazendo da sua vida, do seu ofício, com seus liderados, está alinhado com seu propósito de vida?  Você percebe significado em seu trabalho?

 

Pode ser que, no primeiro momento, pensar sobre tudo isso traga dores, mas, acredite, esse passo pode ser fundamental para você se encontrar e resgatar sua jornada com significado. Além de muito profundo e saudável, pense neste trecho da famosa oração da serenidade: Concedei-me a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar, coragem para modificar aquelas que podemos e sabedoria para distinguir umas das outras. Boa sorte! Muita luz!

 

*Marcelo Madarász é diretor de RH para América Latina da Parker Hannifin

 

 

Foto: Marcos Suguio

 

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