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11/04/2023 - 11h47 Artigos

Flores diferentes vivem juntas…

Mais do que tolerar ou aceitar, é preciso defender a diversidade, prega Marcelo Madarász em sua coluna


 

 

 

Por Marcelo Madarász*

 

Desde a primeira vez que ouvi essa música e prestei atenção na letra, percebi o quanto era profunda e fazia todo o sentido. É impressionante como os artistas têm sensibilidade para falar de temas que nos tocam a alma e conseguem fazê-lo com maestria. Aliás, além de provocar reflexões e endereçar algumas questões existenciais, conseguem antecipar o que chamamos de futuro. Basta pensar no desenho dos Jetsons, primeiro programa de televisão colorido, lançado em 1962, que tratava de carros voadores, cidades suspensas, robôs e outros equipamentos que hoje fazem parte do nosso dia a dia e alguns que ainda farão. Mas o tema da inovação e do futuro fica para um outro artigo; recomendo que assistam à entrevista com a futurista Lala Deheinzelin, na TV Gestão RH.

 

A sensibilidade dos artistas cada vez mais faz parte do conjunto de soft skills que os líderes devem ter, que deles é esperado, embora devesse ser competência para todos os humanos. A gestão de pessoas exige essa sensibilidade e tê-la pode fazer toda a diferença, bem como o conjunto de valores que verdadeiramente fazem parte da essência de cada um, embora, como disse Nelson Mandela, “ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.”

 

Me pergunto como podemos ensinar pessoas a amar sem distinções. Nossa essência, nossos valores, quem somos têm muita relação com nossos pais e o que aprendemos com ele. Há quem diga que seja totalmente dependente deles, mas essa é uma outra discussão. Eu devo muito de quem sou à minha mãe, com quem aprendi entre outras coisas, sobre a complexa arte das relações humanas. Na premiação do RH Mais Admirado de 2019, quando recebi esse reconhecimento, alguns se lembrarão da presença dela no palco e da breve história que contei sobre sua depressão. Foi um momento muito emocionante.

 

Será a depressão uma deficiência, daquelas que poderiam fazer parte da lista que tornam uma pessoa elegível para as cotas? Sei que não, mas é só uma provocação para reflexões. E a depressão torna uma pessoa passível de exclusão? A deficiência faz isso? E ser diferente? Quando eu tinha cinco anos de idade (isso faz muitos anos), meus pais se separaram e aprendi naquele tempo que ser filhos de pais divorciados era uma questão. Ser uma mulher divorciada era uma questão para a família, para a sociedade. Mais tarde, no curso primário (assim era chamado), estudei numa escola em que colegas com síndrome de Down estudavam com todos os outros alunos. Claro que aos seis anos de idade eu não entenderia por que isso era uma questão para alguns pais e eles se manifestavam contra. Qual seria o medo deles? Que seus filhos se “contaminassem”? Mais tarde percebi que nem todas as pessoas tratavam os negros da forma como tratavam os brancos. Será que, como diz a outra música, há medo de se pegar a negritude, já que o cabelo não nega que ela é mulata, mas como a cor não pega, ele quer o seu amor? E aqueles meninos que eram xingados, que todo mundo gozava deles, as pessoas do sexo masculino tinham medo de pegar seus trejeitos e serem menos machos?

 

Desde cedo essas questões me acompanhavam e, bem mais tarde, ao estudar a segunda guerra, o nazismo, eu não consegui compreender o ódio aos judeus. Como isso começou? Recentemente, tive uma conversa com o Rabino Nilton Bonder e ele me deu uma aula sobre a História e a necessidade de aprofundamento nas origens dos fenômenos.

 

Quando comecei a estudar preconceito racial, a escravidão, apartheid, esse tema me despertava um desconforto, um desassossego como se algo definitivamente não estivesse em consonância. Não combinava com nada que aprendi com minha mãe, como a orientação para tratarmos todos da mesma forma, ou seja, com respeito, com dignidade, com amor.

 

Precisei aprofundar os estudos e quanto mais eu conseguia ampliar o conhecimento, mais tristeza e inconformismo nasciam dentro de mim. Quando eu visitei a casa de Martin Luther King e o Centro Nacional de Direitos Civis e Humanos em Atlanta, saí de lá muito tocado e profundamente triste. Essa tristeza só foi superada pela visita aos campos de concentração na Polônia e pelo holocausto.

 

Após você entender um pouco mais sobre o ódio, há maneiras diferentes de reação e uma delas, que acredito ser um caminho nobre para os líderes e para os seres humanos que lutam por um mundo melhor é sonhar como Martin Luther King fez e seguir seu exemplo: se engajar na luta contra todo o tipo de preconceito. E fazer disso uma jornada que não será fácil, mas que fará a sua vida valer ser vivida! Viva a Diversidade, a Equidade e a Inclusão! Abracemos essa causa!

 

Dedico este artigo à minha mãe e a todas as pessoas que lutam por um mundo melhor.

 

 

*Marcelo Madarász é diretor de RH para América Latina da Parker Hannifin

 

 

Foto: Marcos Suguio

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