Imagem da matéria A educação corporativa deve desafiar e transformar profissionais
08/11/2022 - 15h41 Artigos

A educação corporativa deve desafiar e transformar profissionais

Diálogo, empatia e inclusão são preocupações recentes em programas de T&D, assinal Luiz Morato, da Nissin


 

 

O termo “educação corporativa” é relativamente novo. Até pouco tempo, as empresas tinham o setor de treinamento. A mudança de nome não é mera questão de nomenclatura, mas de um contexto histórico. Até os anos 2000, a área de Recursos Humanos dedicava-se muito mais à gestão de cargos e salários do que ao desenvolvimento dos funcionários em virtude do cenário do país, marcado por oscilações econômicas.

 

Conforme o mercado foi ganhando estabilidade, as empresas passaram a investir mais e melhor no que viria a ser a educação corporativa, uma proposta mais abrangente do que a ideia de treinar pessoas. Segundo a pesquisa Prática e Resultados da Educação Corporativa, realizada recentemente pela FIA Business School, a educação corporativa foi a solução encontrada por 97% das companhias para manter seus funcionários em treinamento durante a pandemia da covid-19.

 

Inicialmente, os treinamentos quase sempre tinham o objetivo de aprimorar a bagagem técnica do profissional – as chamadas hard skills. O investimento dirigido à parte técnica, novamente, tinha a ver com o panorama em que vivíamos. Em uma sociedade mais rígida e hierarquizada, os temas comportamentais recebiam pouca atenção. Diálogo, empatia e inclusão são preocupações recentes na agenda corporativa e, por consequência, também nos programas de aprimoramento profissional.

 

Hoje, temos uma situação diferente, com demandas contemporâneas como respeito e valorização da diversidade, cuidados com a saúde mental e sustentabilidade, entre outras. A educação corporativa, entendida como um investimento contínuo no desenvolvimento dos profissionais, tanto em aspectos técnicos quanto nos comportamentais, cresceu sob a influência desses novos valores. A sua ênfase recai, atualmente, sobre as soft skills. As empresas querem e precisam de times aptos à cooperação, comunicação, criatividade, assim como ao pensamento crítico, entre outras habilidades sociais e emocionais. Afinal, o conhecimento técnico é mais fácil de ser transmitido e assimilado do que as ferramentas comportamentais. Por isso, o boom em iniciativas de Recursos Humanos voltadas às soft skills, que, além de muito necessárias, exigem mais esforços para serem sedimentadas.

 

A educação corporativa pode ser viabilizada de diferentes formas: a partir de recursos internos ou com a experiência dos próprios funcionários - sendo estruturada em cursos, treinamentos, palestras, etc. Muitas empresas de porte médio preferem pacotes educativos prontos, que são mais viáveis economicamente. Há também a alternativa de formação de uma academy dentro da companhia, mesclando expertises interna e externa (em parceria com uma faculdade, por exemplo). Cada modalidade tem suas vantagens e todas são uma contribuição importante, senão indispensável, para a evolução profissional.

 

Assim como o conceito de treinamento se transformou ao longo do tempo, acompanhando novas tendências e questões sociais, culturais e econômicas, a própria educação corporativa deve ser transformadora. Ela precisa ser capaz de incomodar, desafiar, transformar os alunos e, portanto, a empresa. Deve oferecer conteúdo, temas e professores que consigam tirar os participantes da zona de conforto, tragam novos pontos de vista, estimulem o debate e a reflexão e toquem em pontos sensíveis. Esses são os pilares da boa educação corporativa. Apenas reforçar conhecimentos que todos já possuem e concordam significa chover no molhado. É necessário instigar novos modos de pensar e agir, especialmente no que se refere às soft skills.

 

Por fim, e não menos importante, é bom lembrar que, seja sob o nome de educação corporativa ou treinamento, os funcionários admiram as empresas que os ajudam a crescer e evoluir na carreira. Por isso, investir no desenvolvimento profissional também configura uma ótima estratégia para atrair e reter talentos.

 

*Luiz Morato é gerente de RH da Nissin Foods do Brasil

 

Foto: Divulgação/Nissin

Últimas notícias

Imagem da matéria Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Maternidade desenvolve habilidades que estão em alta nas empresas
Diversidade & Inclusão - 07/05/2026 - 10h43
Mas, ao se tornarem mães, mulheres ainda enfrentam dificuldades para manter o emprego, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Quando saúde mental deixa de ser cultura e vira risco de negócio
Quando saúde mental deixa de ser cultura e vira risco de negócio
Artigos - 06/05/2026 - 14h42
A falta de olhar estruturado sobre riscos psicossociais deixa de ser apenas uma lacuna de gestão, diz executiva de RH
Ver MAIS
Imagem da matéria Programa de liderança da Soften fortalece a colaboração entre as diversas áreas
Programa de liderança da Soften fortalece a colaboração entre as diversas áreas
Práticas Empresariais - 06/05/2026 - 11h30
Empresa aposta em protagonismo e desenvolvimento contínuo de gestores visando ao crescimento dos negócios
Ver MAIS
Imagem da matéria Friboi, da JBS, lança programa para formação de jovens lideranças em operações industriais
Friboi, da JBS, lança programa para formação de jovens lideranças em operações industriais
Desenvolvimento Profissional - 05/05/2026 - 17h27
Iniciativa foca em recém-formados para ocupar cargos de supervisão em atividades relacionadas à produção e manutenção em
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Aramis lança ferramenta própria de IA para atração e seleção de talentos
Recrutamento & Seleção - 26/02/2026 - 10h59
Chamada de A.R.A - Agente Robótica Aramis, solução fortalece a estratégia fashion tech da companhia
Ver MAIS
Imagem da matéria O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
O que o esporte ensina sobre liderança no mercado financeiro
Artigos - 27/04/2026 - 12h27
CEO do Andbank conta como a rotina de ciclismo, triathlons e maratonas contribui no seu desempenho como líder
Ver MAIS
Imagem da matéria O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
Artigos - 07/08/2025 - 17h10
Com intencionalidade e consistência, o básico bem feito tem gerado os melhores resultados, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Tendências - 28/08/2025 - 17h46
Iniciativa está relacionada ao novo ciclo da companhia, focado na consolidação do IA Commerce
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias