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15/08/2022 - 12h07 Artigos

A valorização dos profissionais criativos e a nova estrutura do trabalho

Em artigo, CEO da Fábrica de Criatividade comenta o aumento das contratações de criativos


 

 

Por Denilson Shikako*

 

 

Uma nova edição do Mapeamento da Indústria Criativa, realizada pela Firjan, apontou que o número de profissionais criativos cresceu 11,7% em relação à última edição, lançada em 2019. Separada em quatro áreas criativas – tecnologia, consumo, mídia e cultura –, a pesquisa mostrou que, hoje, o Brasil conta com cerca de 935 mil profissionais criativos formalmente empregados, o que equivale a 70% da mão de obra que atua na indústria metalmecânica brasileira.

 

Tecnologia e consumo representam mais de 85% dos vínculos empregatícios dos profissionais contratados, com aumentos de 20,0% e 12,8%, respectivamente. Já as áreas de cultura e mídia, representando os 15% restantes, tiveram uma queda de 7,2% e 10,7% em relação à pesquisa de 2019.

 

O estudo mostra que empresas e indústrias estão percebendo que a inovação traz lucro, traz ROI e traz resultados ainda melhores quando o trabalho é realizado por profissionais do mercado criativo. O que justifica o aumento das contratações nas áreas de consumo e tecnologia, por exemplo. Por outro lado, a diminuição da participação dos profissionais de cultura e mídia registrada no estudo pode ser explicada por dois motivos. O primeiro deles foi a pandemia que diminuiu os cargos formais e a ocorrência de atividades culturais acontecendo. O outro motivo é o aumento da "terceirização" das atividades nesses setores. Mas, provavelmente, se a pesquisa tivesse considerado o mercado informal, esse número seria ainda maior. Isso porque as empresas dessas áreas estão contratando freelancers, terceiros ou as próprias empresas estão desenvolvendo capacitações internas nestas temáticas com pessoas "multifunções", o que acaba diminuindo o número percentual de vagas formais.

 

Ainda de acordo com a Firjan, as profissões criativas que estão em alta no Brasil são: analista de Negócios, analista de Pesquisa de Mercado, programador e desenvolvedor, biomédico, Visual Merchandising, gerente de Tecnologia da Informação, designer gráfico, pesquisador em geral, gerente de Marketing e engenheiro da área P&D.

 

Sem dúvida, a análise revela que as ocupações são frutos de modificações estruturais nas relações de trabalho, não somente dentro dos setores criativos, como da economia como um todo. No Fordismo, as pessoas eram treinadas para entregar resultados baseados em operação e produção, e contratadas por período, por tempo. A mudança nas relações estruturais, sobretudo no trabalho durante o período pós-pandemia, se refere às pessoas que estão sendo contratadas para fazer o tempo delas, capazes de gerenciar sua agenda de trabalho com maior autonomia, eficiência e eficácia.

 

De uma forma geral, o mercado como um todo tem trabalhado por projetos, onde o tempo gasto para a realização das tarefas fica por conta do próprio profissional criativo responsável pela sua execução, desde que metas e prazos sejam cumpridos. Ou seja, a forma, o lugar e o tempo gasto para a conclusão das tarefas não são mais um fator inerente à remuneração e que precisam ser controlados pelo empregador e sim se as ações foram efetivamente entregues dentro do escopo definido.

 

Em conclusão, o profissional criativo possui o panorama de várias áreas, conta com repertório criativo, com uma visão mais holística do processo e não somente daquele trabalho específico e repetitivo de apertar parafuso, apertar um botão, que um robô facilmente pode fazer. O autômato até consegue fazer uma análise baseada nos dados, mas tirar conclusões por meio do cruzamento dos dados, trazendo impressões subjetivas, que não estão nos números, é uma coisa que a máquina ainda não consegue. Porém, os profissionais das áreas da inovação e da criatividade possuem estas habilidades e competências que envolvem pensamento macro e disruptivo, onde a visão do todo é sempre melhor do que a visão da soma das partes. Afinal, o futuro é criativo e inovador.

 

*Denilson Shikako é CEO da Fábrica de Criatividade

 

 

Foto: Divulgação/Fábrica de Criatividade

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