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01/10/2019 - 11h41 Artigos

Rompendo os gargalos cognitivos da comunicação corporativa

O sociólogo e antropólogo Maroni J. Silva fala da assertividade na comunicação das empresas


 

 

Por Maroni J. Silva*

 

Diante do farto volume de signos e símbolos que vêm sendo incorporados ao jargão corporativo, em plena era da transformação digital, parece oportuno refletir sobre essa espécie de código linguístico frente à razão de ser da comunicação. Levar uma mensagem a Garcia?

 

Só para exemplificar, tornou-se recorrente, em determinados campos da atividade profissional, particularmente RH e Marketing, cultuar um habitus eivado de significados, de conhecimento às vezes restrito e até difuso. Entre esses, destacam-se conteúdos sintetizados em palavras como propósito, conexão, inspiração, interação, compartilhamento etc., sem falar nos estrangeirismos.

 

A linguagem, como todos nós sabemos, é também um fenômeno sociocultural. Consequentemente, reflete a dinâmica, as inquietações e as ideologias que estruturam o discurso e as práticas relacionais, inclusive o falar no interior das organizações.

 

Dito isso, seguindo tendências da sociedade de consumo, observa-se que alguns vocábulos que em determinados momentos mantiveram status privilegiado no léxico corporativo, com o passar do tempo, foram relativizados ou caíram em desuso. Basta relembrar de palavras como qualidade, reengenharia, mandatório etc., que antes eram in e agora são off.  

 

Talvez por não ter o charme de idiomas mais globalizados, nossa rica língua portuguesa e de Machado de Assis, acaba sendo vilipendiada e empobrecida, tanto no falar como na escrita institucional. Claro que por trás do que se poderia classificar como descalabro cognitivo existe o desconhecimento stricto sensu da nossa “Última flor do Lácio”, assim referida pelo poeta Olavo Bilac, com todos seus encantos.

 

Vale dizer, ignoram-se as mais comezinhas ferramentas que estruturam sua morfologia, tais como o uso correto de verbos, sujeito, objeto, pronomes, concordância etc.

 

Mas, voltando ao ponto de partida ou “à vaca fria”, para os que cultuam o uso de metáforas do senso comum, a pergunta que não quer calar é a seguinte: será que a assertividade da comunicação está de fato garantida, quando as narrativas de perfil corporativo privilegiam códigos linguísticos “fechados”, sociologicamente falando?

 

A teoria e as boas práticas de comunicação pressupõem que quem estiver na posição de decodificador deve fazê-lo também com eficiência. Em outras palavras, o receptor precisa apreender o que foi comunicado pelo emissor.

 

Para ser claro, eis aqui o propósito desse post: garantir a eficácia da comunicação corporativa e um mínimo de reconhecimento e apreço pelo vernáculo. Por fim, é bom que as lideranças e, principalmente os que julgam ter o dom da palavra, se conscientizem de que as profecias nem sempre se concretizam.

 

Aliás, ser prolixo quase nunca traduz eficazmente o sentido do que se pretende verbalizar. E, não raro, até enfatiza o não dito, desviando o real significado da mensagem apresentada.   

 

*Maroni J. Silva é sociólogo, antropólogo e sócio-diretor da Textocon

 

 

 

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