Imagem da matéria Caso Uber mostra que comportamento precisa fazer parte da avaliação de performance
12/07/2017 - 10h00 Artigos

Caso Uber mostra que comportamento precisa fazer parte da avaliação de performance


Por Juliane Yamaoka*

 

No final de junho último, o CEO da Uber, Travis Kalanick renunciou ao seu cargo depois de uma série de episódios envolvendo seu próprio comportamento e os do seu time. A renúncia ocorreu depois da pressão dos acionistas, que perceberam claramente como os problemas comportamentais estavam afetando a reputação da empresa e, consequentemente os negócios.

 

A nuvem negra começou a pairar sobre a cabeça dos executivos da Uber quando uma ex-funcionária da empresa, Susan Fowler, publicou em um blog sua má experiência com a denúncia de assédio sexual por parte de um gestor. Ignorada pelo RH, ela acabou deixando a companhia, e expondo publicamente o problema pelo qual passou.

 

A partir daí, várias histórias, fofocas e rumores começaram a aparecer na imprensa norte-americana, desde as discussões de Kalanick com um motorista da Uber (ele costumava utilizar o serviço da empresa, ou ele mesmo dirigir como Uber), até rumores de que a empresa estaria espionando os planos do Google no que diz respeito à tecnologia driverless (carros guiados por computador).

 

Mas o que isso tudo tem a ver com a gestão de desempenho?

 

A questão é que na Uber – assim como em outras empresas que tiveram um crescimento rápido — a competividade e a busca por resultados estavam acima de tudo. Os valores da companhia e o que a empresa exigia dos seus funcionários em termos de comportamento eram abordados de forma vaga. Frases como "Seja você mesmo" eram as premissas da Uber em termos de comportamento.

 

Como avaliar e exigir um determinado tipo de conduta do funcionário a partir de premissas vagas? Simplesmente não é possível.

 

A primeira questão é que toda empresa, não importando seu tamanho, precisa ter seus valores bem definidos. Mais do que isso, é preciso deixar claro o que se espera do funcionário em termos de comportamento e ética. Uma vez que isso esteja plenamente estabelecido, o comportamento do funcionário dentro da empresa deve ser avaliado da mesma maneira que as metas de negócio são avaliadas: com transparência e de forma constante.

 

A importância do feedback

No que tange ao comportamento, a questão do feedback constante se torna determinante. De nada adianta informar seu funcionário o que é esperado dele, e dar um feedback seis meses depois sobre seu comportamento inadequado diante das demandas da empresa. A gestão de desempenho, mais do que nunca, deve ser constante, e deve ser utilizada pelo gestor como uma ferramenta de aperfeiçoamento, aprendizado e desenvolvimento do profissional.

 

Entretanto, algumas empresas encaram a gestão do desempenho como uma burocracia para o pagamento de bonificação ou participação de lucros, ou engessam o processo, deixando janelas de feedback e avaliação previamente definidas. Mas uma coisa acaba sendo comum a todas as instituições: a educação do gestor em relação ao feedback. A maioria dos gestores não sabe dar um bom feedback, não sabe quando fazer, nem como abordar o profissional. O resultado disso são comportamentos e atitudes que podem até mesmo ferir a reputação empresarial.

 

Medir resultados é sempre importante, dar feedback sobre eles também. Mas é igualmente importante atrelar a avaliação do comportamento à gestão do desempenho, fornecendo um feedback constante. Só assim será possível construir uma cultura organizacional saudável para funcionários, investidores, clientes e mercado.

 

*Juliane Yamaoka é gerente geral da Efix

Últimas notícias

Imagem da matéria Descentralização sem direção expõe falhas na gestão das empresas
Descentralização sem direção expõe falhas na gestão das empresas
Radar - 23/01/2026 - 10h34
Times distribuídos precisam de alinhamento, modelo de trabalho e estrutura adequada
Ver MAIS
Imagem da matéria Reunião de planejamento estratégico da Sólides ganha formato inédito de festival
Reunião de planejamento estratégico da Sólides ganha formato inédito de festival
Gestão de Pessoas - 22/01/2026 - 16h11
Seus mais de 1.000 colaboradores estão reunidos em BH até amanhã para o evento experiencial
Ver MAIS
Imagem da matéria Liderança moderna – O desafio de engajar profissionais e transformá-los em times
Liderança moderna – O desafio de engajar profissionais e transformá-los em times
Artigos - 22/01/2026 - 11h31
Giordania Tavares, CEO da Rayflex: não existe liderança estratégica sem conhecer profundamente as pessoas
Ver MAIS
Imagem da matéria Taxas altas de turnover aceleram a adoção de IA no RH brasileiro
Taxas altas de turnover aceleram a adoção de IA no RH brasileiro
Inovação para RH - 22/01/2026 - 11h11
Rotatividade pressiona empresas por mais agilidade em processos de R&S, diz especialista em Inovação e Marketing
Ver MAIS

Notícias mais lidas

Imagem da matéria Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Magalu lança primeiro programa de trainee em IA do Brasil
Tendências - 28/08/2025 - 17h46
Iniciativa está relacionada ao novo ciclo da companhia, focado na consolidação do IA Commerce
Ver MAIS
Imagem da matéria O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
O papel estratégico do RH na retenção de talentos em tempos digitais
Artigos - 07/08/2025 - 17h10
Com intencionalidade e consistência, o básico bem feito tem gerado os melhores resultados, diz especialista
Ver MAIS
Imagem da matéria Saúde física dos colaboradores: por que investir na TotalPass?
Saúde física dos colaboradores: por que investir na TotalPass?
Publieditorial - 17/03/2025 - 13h10
São mais de 23 mil academias e estúdios parceiros, como Smart Fit e Bio Ritmo
Ver MAIS
Imagem da matéria Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Deel apresenta as nove tendências de trabalho para 2026
Radar - 12/12/2025 - 15h50
A volta da busca por estabilidade no emprego é uma delas, de acordo com dados da companhia
Ver MAIS
 Teste GRÁTIS por 7 dias