31/07/2026 - 15h00 Inovação em Gestão de Pessoas
SEMANA DE QUATRO DIAS MENOS HORAS DE TRABALHO, MAIS VALOR PARA O NEGÓCIO
Enquanto a viabilidade da semana de quatro dias continua em debate, a .be Comunica, agência de comunicação e live marketing, vem acumulando resultados bastante positivos, desde 2023, com a implementação do modelo para toda a equipe, sem redução dos salários nem compensação na carga horária. A experiência acabou se transformando em um dos principais diferenciais competitivos da empresa na atração e retenção de talentos, com redução de 50% no turnover.
Mais do que isso, a .be tem registrado crescimento consistente e alcançou R$ 200 milhões em faturamento nos últimos três anos, o equivalente a uma média de R$ 65 milhões anuais. Na comparação com o triênio anterior, houve um incremento de 30%. Mesmo com a carga horária reduzida, a empresa continua expandindo suas operações e conquistando novos contratos. E com o crescimento dos negócios novas oportunidades de trabalho foram abertas: há três anos, a equipe da .be era composta por 30 profissionais; hoje, são 50.
“É importante fazer uma ponderação: não atribuímos esse crescimento exclusivamente à semana de quatro dias. Seria simplista dizer isso. O crescimento veio de uma combinação de fatores, como amadurecimento da operação, fortalecimento da carteira de clientes, posicionamento da agência e, também, uma cultura de trabalho mais sustentável. Mas a gente não olha apenas para faturamento. O principal indicador foi perceber que conseguimos crescer mantendo a operação saudável, sem aumento proporcional de estrutura e sem perda de qualidade nas entregas”, avalia Rodrigo Villaboim, sócio da .be.
O fato de se tratar de uma empresa de eventos e live marketing favorece a adoção do modelo, mas existe o contrafluxo. As agências vivem picos intensos de trabalho, prazos apertados e demandas que nem sempre cabem em uma agenda previsível, principalmente quando se fala de eventos. Por isso, nem sempre todo mundo consegue folgar. Ou seja: a jornada de quatro dias exige flexibilidade, responsabilidade do time, confiança, organização e comprometimento coletivo. “O modelo funciona porque existe responsabilidade compartilhada e uma cultura muito forte de gestão por entregas”, aponta Rodrigo.
Para os sócios da agência, que acumulam passagens por grandes empresas e multinacionais, o caso evidencia uma mudança importante na forma de pensar gestão e performance. Em vez de aumentar as horas de trabalho, a estratégia foi concentrar esforços na eficiência operacional, na clareza de metas e na valorização das pessoas.
O caso da .be também demonstra que empresas de médio porte podem desafiar modelos tradicionais de trabalho e competir no mercado combinando estratégia de negócios, tecnologia e valorização das pessoas.
Foto abertura: Divulgação/.be








