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Revista Gestão RH - Edição 171
31/07/2026 - 16h00
Gestão de Mudanças

INDICADORES


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COMPORTAMENTO SUPERA CONHECIMENTO TÉCNICO NAS CONTRATAÇÕES

A pesquisa O Brasil Contrata por Competência ou por Comportamento?, realizada em junho, pela Heach Recursos Humanos, aponta uma transformação significativa nos critérios utilizados pelas empresas brasileiras na contratação de profissionais: o comportamento passou a ocupar posição de destaque nas decisões, superando fatores tradicionalmente considerados determinantes, como formação acadêmica e conhecimento técnico.

Entre 200 empresários e gestores com poder de decisão sobre contratações, 42% afirmaram que o perfil comportamental é o principal fator de decisão. Depois vêm experiência profissional (24%), competência técnica (18%), aderência à cultura organizacional (10%), formação acadêmica (4%) e indicação (2%). Além disso, 84% já contrataram profissionais tecnicamente excelentes que não alcançaram os resultados esperados em razão de questões comportamentais.

"O currículo continua sendo um requisito básico, mas já não é suficiente para garantir uma contratação. Cada vez mais as empresas observam aspectos ligados à comunicação, inteligência emocional, adaptabilidade, capacidade de relacionamento e aderência à cultura organizacional", afirma Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach.

Esse resultado reflete uma realidade da gestão de pessoas: muitas empresas conseguem capacitar um profissional tecnicamente em poucos meses, mas nem sempre é possível desenvolver na mesma velocidade maturidade profissional, postura, inteligência emocional, adaptabilidade e relacionamento interpessoal.

O levantamento também identificou um crescimento consistente no uso de ferramentas de assessment e avaliação comportamental nos processos seletivos. Entre os profissionais de RH, 78% utilizam avaliações comportamentais como apoio em contratação, promoção ou desenvolvimento de talentos.

Para Elcio, ferramentas comportamentais são uma evolução importante para o recrutamento, mas não devem ser utilizadas de forma isolada: "Estamos falando de seres humanos. Nenhuma ferramenta é capaz de compreender integralmente a história, o contexto, o momento de vida, os valores e o potencial de desenvolvimento de uma pessoa."

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QUANTO VALE O DOMÍNIO EM IA ?

A consultoria global Korn Ferry divulgou o estudo Impacto da IA nos Cargos e na Remuneração 2026, que mostra: 64% das empresas ainda não sabem estimar o bônus salarial para profissionais com domínio de inteligência artificial. Entre aquelas que já adotam esse diferencial, a valorização costuma variar entre 10% e 15% acima de funções equivalentes, especialmente para especialistas em machine learning e ciência de dados, refletindo a disputa por talentos escassos.

O levantamento também aponta que o impacto da IA sobre os cargos ainda é visto com cautela. Para parte das empresas, apenas entre 5% e 10% das funções foram efetivamente transformadas até o momento. 

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ALTA PRESSÃO LEVA GESTORES AO LIMITE

A pressão sobre gestores brasileiros atingiu níveis preocupantes: nove em cada dez afirmam trabalhar sob pressão constante e 44,6% classificam essa pressão como alta ou extrema. Como consequência, 70% já cogitaram abandonar o cargo em busca de qualidade de vida, 57% relatam cansaço e esgotamento e 53% têm dificuldade para se desconectar do trabalho. Os números são de um levantamento da Conquer In Company, que ouviu 750 profissionais.

Entre os principais fatores de sobrecarga estão "desenvolver pessoas e gerenciar conflitos" e "conciliar estratégia e operação", ambos apontados por 58% dos entrevistados. Lidar com mudanças constantes também está entre os maiores desafios (44%). Falta de tempo para acompanhar as equipes, ausência de ferramentas adequadas e baixo engajamento dos colaboradores agravam o cenário.

A pesquisa também aponta um déficit na preparação das lideranças: 78% dos gestores assumiram o cargo sem formação suficiente e aprenderam a liderar na prática. Além disso, 63% consideram que a capacitação de líderes recebe baixa prioridade em suas empresas, percepção compartilhada por 58,4% dos profissionais de RH. Ou seja, embora as empresas reconheçam a importância de desenvolver gestores, ainda enfrentam dificuldades para transformar essa necessidade em prioridade.

Na avaliação de Giovana Chimentão, diretora de Educação da Conquer In Company, muitas organizações ainda partem da premissa equivocada de que bons profissionais se tornam automaticamente bons líderes, mas competências como gestão de pessoas, condução de mudanças e tomada de decisão exigem desenvolvimento contínuo, sob pena de aumentar a sobrecarga e o desgaste emocional.

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TABU MENSTRUAL REDUZ A PRODUTIVIDADE

Apesar dos impactos sobre a saúde e a produtividade, a menstruação ainda é pouco considerada nas políticas corporativas brasileiras, como mostra um estudo inédito realizado pela Essity em parceria com a Dalia e a Great Place to Work, com 1.688 pessoas que menstruam e 80 empresas.

Entre as participantes, 96,7% percebem queda no desempenho durante o período menstrual, principalmente devido a cólicas, fadiga, dores de cabeça e alterações emocionais. Além disso, 59,2% já precisaram interromper o trabalho por causa dos sintomas. O levantamento também mostra que a maioria das empresas ainda ignora o tema. Apenas 8% possuem políticas ou protocolos voltados à saúde menstrual, 75% nunca discutiram o assunto internamente e 18% consideram desnecessária a adoção de medidas específicas.

Empresas que oferecem iniciativas de apoio têm uma perda de produtividade 8% menor e relatam ganhos em clima organizacional, bem-estar, produtividade e retenção de talentos. Entre as medidas apontadas pelas próprias trabalhadoras para melhorar a experiência no ambiente corporativo estão flexibilidade de jornada no período menstrual, acesso a produtos de higiene e analgésicos, possibilidade de trabalho remoto, licenças e ajustes na carga de trabalho.

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PESQUISA EXPÕE ABISMO ENTRE CEOS E RH

Com o objetivo de entender as expectativas da alta liderança em relação à área de Recursos Humanos, a Flash se uniu à FIA para realizar uma pesquisa junto a 168 CEOs de empresas com mais de 300 funcionários. O levantamento mostrou que, embora o RH seja reconhecido como um agente de confiança e guardião da cultura organizacional, ainda enfrenta dificuldades para consolidar seu papel estratégico.

Entre os principais desafios está a distância entre expectativa e entrega. Para 48% dos CEOs é essencial que o RH seja capaz de gerir dilemas complexos e mediar conflitos estratégicos, mas apenas 34% acreditam que essa competência é efetivamente exercida.

Da mesma forma, 46% esperam que a área conecte decisões sobre pessoas aos resultados financeiros, mas só 37% enxergam essa atuação. Além disso, em 51% das empresas não há um representante de RH no comitê executivo.

A limitação da influência do RH também se reflete na percepção sobre a própria carreira: somente 20% dos CEOs consideram fazer bastante sentido que profissionais de RH cheguem à primeira cadeira das organizações.

Entre os pontos favoráveis, para 64% dos CEOs, o RH é visto como uma liderança confiável, capaz de influenciar decisões e atuar além do papel operacional. A construção de relações, a gestão da cultura e a capacidade de influência aparecem como pontos fortes, indicando que a área já exerce um papel relevante como elo entre estratégia e pessoas, mesmo sem pleno reconhecimento formal.

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IA DESAFIA PAPEL DA LIDERANÇA

A consultoria Inesplorato lançou um estudo que analisa como a IA está transformando o ambiente corporativo e os desafios culturais, psicológicos e organizacionais decorrentes dessa mudança. Segundo Débora Emm, CEO e fundadora da Inesplorato, os executivos ainda não se reconhecem como parte da classe trabalhadora, apesar de também estarem submetidos às crescentes pressões por produtividade e desempenho.

De acordo com o estudo, a popularização da IA evidencia essa realidade ao automatizar atividades antes consideradas exclusivas das lideranças, como análise, planejamento e tomada de decisão. Realizada pela Talk, a pesquisa que embasa o trabalho, mostra que, para 74% dos brasileiros, a inteligência artificial ampliou sua capacidade de trabalho, mas também trouxe novos desafios culturais e psicológicos para o ambiente corporativo.

Para Débora, a tecnologia obriga a alta liderança a reconhecer que também está sujeita à lógica da exaustão e ao risco de obsolescência quando seu valor é baseado apenas em eficiência. Diante desse cenário, o estudo defende que as empresas adotem a IA de forma ética, preservando competências humanas como pensamento crítico, criatividade, julgamento ético e sensibilidade social, em vez de intensificar a pressão sobre os profissionais.

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LIDERANÇAS EVOLUEM MAIS RÁPIDO QUE AS EMPRESAS

O estudo Liderança 2030, feito pela consultoria Corall, aponta um descompasso entre a evolução das lideranças e a capacidade das organizações de acompanhá-la.

No levantamento, que ouviu 136 líderes, entre C-levels, diretores, gerentes sêniores, CEOs, presidentes e conselheiros, 95% reconhecem que vivem uma transição profunda no papel dos líderes, mas relatam dificuldades para sustentar decisões em ambientes ainda marcados por pressa, controle e limitações estruturais.

Para 74%, os desafios exigem mais discernimento do que rapidez. Ainda assim, quase metade afirma: decisões estratégicas continuam sendo tomadas em ritmo acelerado, sem o espaço necessário para reflexão, o que evidencia uma tensão entre consciência individual e práticas organizacionais.

"Já vemos lideranças mais conscientes, dispostas a lidar com decisões complexas, mas convivendo com um sistema que ainda valoriza a entrega imediata. Esse paradoxo mostra que a mudança já começou, mas ainda não é sustentada de forma consistente pelas organizações", afirma Alessandro Gruber, sócio e consultor da Corall.

Essa tensão já se manifesta de forma concreta: embora 65% afirmem sustentar dilemas e incertezas, parte relevante delas faz isso sem apoio institucional, o que sugere estruturas que dependem mais da resiliência individual do que de modelos organizacionais preparados para a complexidade.

O estudo também aponta que, embora o uso de dados e IA esteja crescendo, a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana. "A tecnologia amplia a capacidade de análise, mas não substitui o discernimento. Em um ambiente mais automatizado, a liderança não perde relevância, ela se torna ainda mais exposta", conclui Marcio Svartman, sócio e consultor da Corall.

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RH NÃO É PRIORIDADE NA ADOÇÃO DE NUVEM

A área de RH está entre as área que mais precisam evoluir em transformação digital, de acordo com o estudo Panorama Cloud nas Empresas Brasileiras, encomendado pela Totvs à H2R Insights & Trends. Isso porque 59% das companhias utilizam plenamente sistemas de gestão empresarial (ERP) em nuvem, mas só 41% fazem o mesmo com soluções de RH. Mais: 28% afirmam não utilizar nenhuma ferramenta em nuvem para a gestão de pessoas.

"No cenário atual, manter o RH fora da nuvem significa aceitar gargalos operacionais que impactam a produtividade", afirma Robson Campos, diretor de Produto e Negócios para RH da Totvs.

O levantamento também aponta fragilidades na segurança da informação: 52% das empresas não utilizam soluções em nuvem para gerenciamento de acessos remotos e 49% ainda não adotam plataformas de gerenciamento de identidades e acessos (IAM). Segundo Robson, a integração entre RH e TI é essencial para garantir processos mais seguros e eficientes, especialmente nas etapas de admissão e desligamento de colaboradores.

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